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Obrador, o candidato que promete eliminar os maiores problemas do México

28/06/2018 14h48

Cristina Sánchez Reyes.

Cidade do México, 28 jun (EFE).- Grande favorito para vencer as eleições de domingo no México, Andrés Manuel López Obrador está convencido de que pode acabar com os grandes males do país: a corrupção, a impunidade, a violência e a desigualdade social.

Aos 64 anos, López Obrador tenta a presidência pela terceira vez, mas agora tem 48% das intenções de voto. De fato, ele nunca esteve tão perto de liderar a mudança que o país pede.

Amlo - como é conhecido por causa das iniciais do seu nome - escolheu a luta contra a corrupção como o principal eixo da sua campanha, ao mesmo tempo em que promete governar de forma responsável, popular e com espírito de serviço público.

López Obrador tem aberta identificação com os ex-presidentes Lázaro Cárdenas, que nacionalizou a indústria do petróleo, redistribuiu terras e promoveu a educação, e Benito Juárez, considerado um liberal e um dos pais da pátria.

Porém, para alguns suas propostas são socialistas e populistas demais, e ele chegou a ser comparado com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e ser considerado um perigo para o México.

Criado no Partido Revolucionário Institucional (PRI), nos anos 60 e 70, sempre teve inclinação pela corrente esquerdista do partido e, por isso, foi acusado de "divulgar ideias socialistas".

Em meados da década de 80, saiu do governo e desistiu do cargo de diretor que tinha no Centro de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais do Comitê estadual do PRI, afirmando que o "partido não tinha solução".

Em 1988, Amlo foi testemunha da fraude eleitoral que deu vitória a Carlos Salinas de Gortari na disputa com Cuauhtémoc Cárdenas, que se apresentava como o primeiro candidato de esquerda a enfrentar o PRI.

Depois disso, foi um dos fundadores do Partido da Revolução Democrática (PRD), com o qual conseguiu ser eleito governador do seu estado de origem, Tabasco, e posteriormente presidente nacional do partido.

Em 2000, López Obrador ganhou as eleições para chefe de governo do Distrito Federal terminando com 70 anos de hegemonia do PRI na capital do país.

Como chefe de governo implementou programas sociais de assistência a idosos, mães solteiras, desempregados, além de políticas que ajudaram a diminuir a violência e aumentaram o investimento privado, apesar de também ter aumentado a dívida pública da Cidade do México.

Amlo prometeu um governo honesto e austero e tentou praticar isso na vida cotidiana. Morava em uma pequena casa em um bairro de classe média e andava em um carro simples. Da mesma forma, reduziu os salários dos funcionários, criou uma universidade pública e fomentou a construção de casas populares.

Costumava dar entrevistas coletivas todos os dias muito cedo e trabalhava quase 18 horas por dia. Seu nível de aprovação, em algumas pesquisas, chegou a atingir os 80%.

Em 2003, ele era o político mais popular do país. No mesmo ano Rocío Beltrán Medina, sua primeira esposa, morreu vítima de uma doença no sistema imunológico. López Obrador tinha 23 anos de casado e três filhos: José Ramón, Andrés Manuel e Gonzalo Alfonso.

O mais novo protagonizou acidentes de carro, brigas nas redes sociais e gosta de exibir artigos de luxo, o oposto dos ideais políticos do pai.

Mas os escândalos não pararam aí. Pessoas próximas a Amlo foram presas em cassinos de Las Vegas ou recebendo propina. Mesmo assim, em 2006 ele se apresentou para concorrer como presidente do México e perdeu para Felipe Calderón por uma pequena margem.

Em meio aos protestos que organizou para denunciar a fraude eleitoral da sua derrota eleitoral, se casou com Beatriz Gutiérrez Müller, que conheceu quando governava a Cidade do México e com quem teve um filho, Jesús Ernesto.

Em 2012, após perder as eleições presidenciais pela segunda vez, agora pra Enrique Peña Nieto, e de denunciar uma nova fraude, se desligou do PRD e formou o Movimento de Regeneração Nacional (Morena).

Em três anos, o partido ganhou força e, com o lema "A esperança do México", representa para muitos a possibilidade de acabar com os maiores problemas do país, assim como tentou fazer na Cidade do México.

Não à toa, Amlo afirma que sua chegada à presidência será, "depois da Independência, das reformas liberais do século XIX e da Revolução Mexicana", a quarta revolução do país.

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