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Internacional

Populista conservador, El Bronco quer cortar mãos de corruptos

28/06/2018 14h50

Eduard Ribas i Admetlla.

Cidade do México, 28 jun (EFE).- Muito atrás nas pesquisas e sem chances de ser presidente do México, o candidato independente Jaime Rodríguez, conhecido como 'El Bronco' ('o rude', em tradução livre), tenta projetar a imagem de um 'self-made man' e pretende protagonizar a campanha com uma proposta inusitada: cortar a mão dos corruptos.

"Temos que cortar a mão daqueles que roubam no serviço público, isto não é ruim", disse Rodríguez (Galeana, 1957) durante o primeiro debate presidencial, provocando surpresa entre os moderadores e suscitando uma onda de 'memes' humorísticos na internet.

Franco, conservador e com linguagem populista, 'El Bronco' não dá importância às pesquisas e gosta de lembrar de sua inesperada vitória nas eleições no estado de Nuevo León em 2015, quando se transformou no primeiro governador independente do México.

Rodríguez afirmou na época que concluiria seu mandato como governador até 2021, mas esta promessa caiu por terra quando anunciou que queria se transformar em presidente do México e apostou em sua candidatura como independente para o pleito de 1º de julho.

A polêmica vem sendo sua marca desde o momento em que o Tribunal Eleitoral mexicano aceitou sua candidatura, apesar dos muitos supostos avais falsos que apresentou.

Assim, 'El Bronco' se transformou no primeiro candidato independente do México junto com Margarita Zavala, que desistiu em plena campanha, algo que Rodríguez não tem planos de fazer, mesmo com seu baixo rendimento nas pesquisas, que não lhe dão mais que 2% das intenções de voto.

Para reverter essa desvantagem, 'El Bronco' depositou sua confiança desde o primeiro dia nos chamados "soldados de Jaime", um exército digital de milhares de voluntários que divulgam suas mensagens nas redes sociais.

Devido ao pouco espaço destinado às candidaturas independentes nos meios de comunicação tradicionais, o candidato se viu obrigado a explorar ao máximo esse "exército" através de plataformas como Facebook e Twitter, buscando constantemente a interação com os usuários.

Contudo, para Rodríguez é conveniente reivindicar-se como um político independente dos partidos desprestigiados e projetar uma imagem de "outsider" do sistema político, apesar de ter passado 33 anos como militante do Partido Revolucionário Institucional (PRI), uma legenda que acabou deixando em 2014.

Sua linguagem, coloquial e algumas vezes vulgar, o levou a protagonizar algumas saídas de tom e comentários machistas, como quando garantiu que seu cavalo lhe dá menos gastos que sua esposa.

Além disso, em uma tentativa de mexer emocionalmente com os eleitores, o candidato chegou a mostrar na televisão a bala que matou seu filho, assassinado durante a luta contra o crime organizado que 'El Bronco' empreendeu durante seu período como prefeito de García (2009-2012).

Naqueles anos, sua filha foi sequestrada e ele mesmo sofreu duas tentativas de atentados, que acabaram fracassando, o que o levou a definir a si mesmo como o único candidato presidencial que sofreu pessoalmente com a violência no país, uma das grandes preocupações dos mexicanos em uma nação que registrou um recorde de homicídios em 2017.

Apesar disso, os outros candidatos não viram em Rodríguez qualquer tipo de ameaça e deram pouca atenção e credibilidade para suas propostas, como a de cortar a mão dos corruptos e a de estabelecer a pena de morte para os sequestradores.

No campo econômico, seu receituário abraça medidas neoliberais como a redução de impostos e o fim dos auxílios sociais, pois o que ele mais detesta é o "assistencialismo".

Por isso, 'El Bronco' é especialmente crítico com o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, líder em todas as pesquisas, a quem ele acusa de querer dar "dádivas" aos mexicanos e adormecer a economia.

'El Bronco' rejeita com contundência a ideia de que o Estado deva ajudar os desfavorecidos e gosta de citar a si mesmo como exemplo de ascensão social: embora tenha nascido em uma família muito pobre, conseguiu estudar Agronomia, ser governador e, hoje, candidato à presidência.

No entanto, pelo menos por agora ele ficará apenas como candidato presidencial, já que não tem chance de ser eleito para o cargo.

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