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Tecnocrata experiente, Meade é prejudicado pelos erros do PRI

28/06/2018 14h48

Isabel Reviejo.

Cidade do México, 28 jun (EFE).- A preparação e a experiência no serviço público são os grandes trunfos de José Antonio Meade, mas sua candidatura presidencial se vê prejudicada pela corrupção e os maus resultados de seu partido, o PRI, que pode sofrer uma sonora derrota nas eleições de domingo no México, segundo pesquisas de opinião.

Advogado e economista, Meade aparece na terceira posição em quase todas, sem nunca ter mais de 20% de apoio e muito atrás do líder esquerdista Andrés Manuel López Obrador, que se aproxima dos 50%.

No final de novembro do ano passado, Meade confirmou a intenção de concorrer à presidência pelo Partido Revolucionário Institucional, apesar de não ser militante e graças ao fato de o PRI ter modificado recentemente seus estatutos.

Formado em Economia e Direito, além de ter um doutorado em Economia pela Universidade de Yale (EUA), Meade administrou várias pastas tanto no governo de Felipe Calderón (2006-2012), do Partido Ação Nacional (PAN), como no de Enrique Peña Nieto (2012-2018), do PRI.

Com Calderón, Meade foi secretário de Energia e de Fazenda, enquanto no mandato de Peña Nieto esteve à frente das pastas de Relações Exteriores, Desenvolvimento Social e Fazenda.

O agora líder da coalizão formada pelo PRI com as legendas Verde Ecologista e Nova Aliança também ocupou diversos cargos públicos, a maioria em instituições financeiras.

Durante a campanha presidencial, Meade teve uma relação ambígua com o atual governo. Por um lado, quis se mostrar como um "candidato popular" e se distanciar da administração de Peña Nieto, abalada por vários escândalos de corrupção dos quais ele saiu imune. Por outro, se ateve aos resultados obtidos como secretário durante o mandato - como a redução dos níveis de pobreza - para tentar se consolidar como o candidato "da razão" contra López Obrador, a quem alguns analistas criticam por ideias utópicas e propostas pouco concretas.

"Podem te prometer a Lua, mas podem não te tirar de lá", afirmou o candidato em uma das peças publicitárias de sua campanha.

Nas entrevistas e debates, Meade adota uma atitude calma e afável, e usa e abusa dos dotes de orador.

Católico praticante, ele frequenta a missa todos os domingos junto com a esposa, Juana Cuevas, com quem está casado há 24 anos e tem três filhos.

Juana, a quem Meade conheceu durante seu período de estudante, foi também uma das peças-chave para conseguir que o candidato priista emanasse uma imagem de proximidade.

"Ele era o único (dos companheiros de classe) que não estudava, porque já sabia tudo", disse Juana em um vídeo publicado nas redes sociais no qual contou como eles se conheceram.

Apesar de tudo, a tarefa de Meade parece estar dificultada inexoravelmente pelos escândalos do PRI e os altos índices de violência e insegurança dos últimos anos.

Poucas semanas depois de começar a pré-campanha, em dezembro do ano passado, uma frase começou a ser repetida como um mantra: "Meade não embala".

Um de seus concorrentes, o conservador Ricardo Anaya, da coalizão liderada pelo PAN, chegou a dizer que o PRI estava considerando uma mudança de candidato.

Em seus discursos públicos, Meade mostrou-se indiferente às pesquisas de opinião e continuou convicto de que as urnas lhe darão um resultado favorável.

O candidato, inclusive, utilizou a inesperada vitória da seleção mexicana sobre a Alemanha na Copa do Mundo para afirmar que "tudo pode acontecer".

"Assim como no futebol não há previsão, nem aposta, que valha mais que o resultado final do dia do jogo, o mesmo acontece nas pesquisas (...) Temos tempo e vamos ganhar", escreveu um esperançoso Meade em uma mensagem recente no Twitter.

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