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Crise sociopolítica deixou 43 crianças órfãs na Nicarágua

29/06/2018 22h33

Manágua, 29 jun (EFE).- A crise sociopolítica que assola a Nicarágua deixou 43 crianças órfãs desde o início da revolta social no último mês de abril, que já deixou mais de 285 mortos no país, informou nesta sexta-feira a Federação Coordenadora Nicaraguense de ONGs que trabalham com a Infância e a Adolescência (Codeni).

"Temos pelo menos 43 crianças órfãs contabilizadas, porque perderam seus pais nesta crise", disse à Agência Efe a integrante do Conselho de Coordenação de Codeni, Audilia Amaya.

As crianças órfãs, assim como uma quantidade não específica de adolescentes que foram detidos, foi opacada pela morte de 24 menores de idade "pela repressão indiscriminada do Governo", segundo Amaya.

A dirigente de Codeni também reivindicou que o Ministério da Família, Adolescência e Infância (Mifamilia) saia em defesa das vítimas menores de idade.

"O Ministério da Família, embora pertença às estruturas do governo, já deveria ter se pronunciado diante de todos esses mortos, sobre o resguardo à vida dos menores", lamentou Amaya.

Tanto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) como o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH) responsabilizaram o governo nicaraguense por graves violações aos direitos humanos.

As violações incluem "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias cometidas contra a população majoritariamente jovem do país", segundo um relatório da CIDH, que foi rejeitado pelo governo da Nicarágua.

A Nicarágua está há mais de dois meses submersa na crise mais sangrenta desde a década dos anos 1980, também sob a presidência de Ortega.

Os protestos contra Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram contra fracassadas reformas da seguridade social e se transformaram em um movimento que pede a renúncia do presidente, depois de 11 anos no poder, em meio a acusações de abuso e corrupção.