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Jornal alvo de atirador nos EUA é publicado com seção de opinião em branco

29/06/2018 11h43

Washington, 29 jun (EFE).- O jornal "Capital Gazette" da cidade de Annapolis, no estado de Maryland, no leste dos Estados Unidos, cuja redação foi atacada ontem por um atirador que deixou cinco mortos, publicou nesta sexta-feira sua edição impressa diária com a seção de opinião em branco.

A direção do "Capital Gazette" optou por deixar suas páginas de opinião em branco com um pequeno texto em homenagem às cinco vítimas, identificadas pela polícia como Gerald Fischman, Rob Hiaasen, John McNamara, Rebecca Smith, todos jornalistas, e a agente comercial Wendi Winters.

"Hoje estamos sem palavras. Deixamos intencionalmente esta página em branco para homenagear as vítimas do atirador de quinta-feira em nossa redação. (...) Amanhã esta página voltará a seu propósito constante de oferecer a nossos leitores opinião embasada sobre o mundo e seu entorno", escreveu a direção da publicação.

Em sua capa, o jornal decidiu publicar cinco fotografias dos funcionários que morreram ontem no ataque, junto com a manchete "5 mortos por disparos no The Capital".

Alguns dos jornalistas do "Capital Gazette", como Phil Davis, usaram as redes sociais durante as últimas horas para explicar suas sensações depois que testemunharam em primeira pessoa o trágico episódio de quinta-feira.

"Como não consigo dormir, farei a única coisa que posso fazer e escreverei notícias", afirmou Davis no Twitter.

Segundo os relatórios policiais, o atirador, identificado como Jarrod Ramos, de 38 anos, entrou no edifício do "Capital Gazette" na quinta-feira por volta de 14h30 locais (15h30 em Brasília) e abriu fogo através da porta de vidro de um escritório, matando cinco pessoas.

Além das vítimas mortais, outras três pessoas tiveram que receber atendimento em hospitais próximos.

A polícia prendeu o atirador no local, escondido embaixo de uma mesa, e garantiu que o motivo do ataque foi "vingança", mas não forneceu mais detalhes.

Ramos, por sua vez, perdeu em 2015 um processo por difamação que ele tinha apresentado contra o "Capital Gazette" por um artigo publicado em 2011 que o identificava como assediador de mulheres nas redes sociais, citando fontes judiciais.