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Ex-agentes de Pinochet são condenados por sequestro durante ditadura chilena

10/07/2018 21h57

Santiago do Chile, 10 jul (EFE).- Um juiz do Chile condenou nesta terça-feira quatro ex-agentes da polícia secreta de Augusto Pinochet pelo sequestro qualificado de uma das 119 vítimas da chamada Operação Colombo, segundo informaram fontes judiciais.

A sentença ditada pelo juiz especial Mario Carroza, da Corte de Apelações de Santiago, condenou a cinco anos e um dia de prisão o general César Manríquez Bravo, o brigadeiro Miguel Krassnoff Martchenko, o coronel Orlando Manzo Durán e o ex-oficial Ciro Torré Sáez como autores do sequestro de Néstor Gallardo Agüero.

Contador e integrante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), grupo que combateu a ditadura de Pinochet, Gallardo Agúero foi detido em Santiago no dia 28 de setembro de 1974 por agentes da DINA (Direção de Inteligência Nacional), a polícia secreta da ditadura.

Durante seu sequestro Gallardo recebeu um tiro em um braço, apesar do que foi levado a um centro de torturas dirigido por Torré Sáez e depois a outro comandado por Manzo Durán, segundo testemunhos de prisioneiros sobreviventes.

No segundo centro de torturas, denominado Cuatro Álamos, seu rastro foi perdido para sempre.

Em 1975 seu nome foi incluído na Operação Colombo, que foi uma manobra da DINA para encobrir o desaparecimento de 119 prisioneiros políticos, que contou com a colaboração dos serviços secretos da Argentina e do Brasil.

Nesses países foram publicadas edições únicas de jornais fictícios nos quais se afirmava que os 119 tinham morrido em expurgos internos do MIR ou em enfrentamentos com forças regulares de outros países da região.

A imprensa chilena, dominada pelo regime imperante, fez eco de tais publicações sob manchetes como "Exterminados como ratos"

Na parte civil, o juiz Carroza condenou o Fisco chileno a pagar uma indenização de 40.000.000 de pesos (US$ 62.000) a uma irmã da vítima.

Segundo dados oficiais, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) pelo menos 3.200 chilenos morreram nas mãos de agentes do Estado, dos quais 1.192 ainda figuram como detidos desaparecidos.