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Jane Fonda se junta a trabalhadoras domésticas e do campo contra assédio

12/07/2018 18h16

Rafael Salido.

Washington, 12 jul (EFE).- A atriz e ativista Jane Fonda levantou nesta quinta-feira a bandeira das trabalhadoras domésticas e rurais que pedem ao Congresso dos Estados Unidos reformas na lei, apoiadas em campanhas como #MeToo e #TimesUp.

"Isto vai continuar. Não é algo que vai desaparecer. Isto não é um momento, é um movimento", afirmou a artista em uma conferência organizada por diversas associações sociais no Congresso, em Washington.

Ela defendeu a importância destes dois movimentos, que surgiram há cerca de um ano por causa de denúncias feitas por várias atrizes contra o ex-todo-poderoso produtor Harvey Weinstein, que atualmente está solto, pagando fiança, enquanto aguarda o julgamento por acusações de assédio e estupro.

"Notamos que isso ganhou força porque as mulheres que alçaram voz eram brancas e famosas", reconheceu a atriz, destacando que a obrigação de Hollywood agora é agir para divulgar a mensagem das mulheres mais humildes.

De acordo com Jane Fonda, desde o início aconteceu uma forte "sinergia" entre as celebridades do mundo do cinema e as demais trabalhadoras. Isso fez com que as vozes de todas começassem a ser ouvidas, um momento que "nunca" acreditou que fosse ver.

"Se realmente queremos enfrentar e resolver estes problemas sobre direitos das trabalhadoras, dignidade e segurança em relação ao assédio sexual no local de trabalho, temos que fazer isso unidas pelo amor e junto com as nossas irmãs de outros setores", observou a popular ativista.

A presidente da Alianza Nacional de Campesinas (Aliança Nacional de Camponesas), Mónica Ramírez, que também participou do evento, revelou que as trabalhadoras do campo sentem "o apoio das pessoas da indústria do entretenimento", mas que a exigência de maior proteção no trabalho afeta "todos as áreas".

"Fazemos o nosso trabalho coletivamente e estamos ajudando outros setores. Este não é um movimento para uns poucos", ressaltou Mónica, que teve a sua causa amplamente divulgada depois de ser convidada pela atriz Laura Dern para participar da festa do Globo de Ouro, em janeiro.

A Alianza Nacional de Campesinas e a National Domestic Workers Alliance / Alianza Nacional de Trabajadores del Hogar (Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas) estão reunidas na capital dos Estados Unidos para conversar com senadores e congressistas e pedir mudanças na legislação para garantir maior proteção jurídica a dois grupos que poucas vezes conseguem voz nos noticiários. Entre os pedidos apresentados ao Congresso estão mais proteção contra a discriminação e o assédio, mais direitos para trabalhadoras do campo e a criação de uma nova lei federal que reconheça o trabalho doméstico.

"Queremos proteção, sem exceção e sem brechas legais, para que todo mundo possa viver e trabalhar com dignidade", explicou a diretora-executiva da Aliança de Trabalhadoras do Lar, Ai-jen Poo.

Para a veterana atriz, as mulheres de Hollywood têm o dever de "se colocar do lado" destas trabalhadoras e prestar todo o apoio.

"Estas mulheres - frequentemente mulheres de cor, muitas vezes imigrantes - são muito, muito vulneráveis porque trabalham de forma isolada, por isso as suas vozes não são ouvidas", lamentou.

Questionada pelas críticas que a indústria cinematográfica vem recebendo nos últimos anos por seu posicionamento político, tanto pela sociedade mais conservadora quanto de vários representantes políticos, ela não se abalou e defendeu a importância de continuar aproveitando a sua posição de privilégio para seguir lutando.

"Se estamos sendo atacadas é porque estamos sendo efetivas. Estamos aqui para amplificar essas vozes que precisam ser ouvidas. É assim como devemos usar a nossa popularidade, alçando a voz por todos os trabalhadores", concluiu a atriz.