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Após ataque e saque, MSF suspende parte da atuação no Sudão do Sul

24/07/2018 15h53

Juba, 24 jul (EFE).- A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou nesta terça-feira a suspensão de grande parte das atividades que desenvolvia na província de Maban, no estado de Alto Nilo, na região nordeste do Sudão do Sul, depois que a sede da ONG foi atacada e saqueada por um grupo de jovens que pedia emprego.

Em comunicado, o MSF explicou que "um grupo de homens armados e desconhecidos atacou ontem o escritório da organização no Alto Nilo". Embora os funcionários da instituição não tem sido atingidos, os indivíduos "roubaram pertences dos voluntários, queimaram uma barraca cheia de equipamentos de trabalho e destruíram a maioria dos carros e aparelhos de comunicação" da sede da ONG.

Na nota, MSF destacou que a suspensão das suas atividades afetará 80 mil moradores, além dos refugiados sudaneses que estão no acampamento de Douro. Uma pequena parte da equipe médica, no entanto, ficará na região para "continuar dando assistência a pessoas que apresentem condições críticas de saúde".

Outras organizações humanitárias também sofreram ontem ataques e saques de manifestantes que protestavam por falta de oportunidades de emprego, e um escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) também foi assaltado. O coordenador humanitário da ONU para o Sudão do Sul, Adnan Khan, condenou os ataques contra trabalhadores e instalações humanitárias no país e explicou que tudo começou com um protesto pacífico, que ficou violento e gerou "ataques, saques e incêndios".

Hoje, o governador do estado de Alto Nilo, Deng Akuei Kak, disse à Agência Efe que o governo decidiu prender todos os envolvidos nos ataques e que os jovens serão investigados por um comitê presidido por ele.

O Sudão do Sul está imerso em um conflito armado desde o final de 2013. Nesse período, cerca de 100 trabalhadores humanitários morreram no país.