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Chefe de gabinete de Macron assume culpa por gestão de caso de guarda-costas

24/07/2018 15h57

Paris, 24 jul (EFE).- O chefe de gabinete da presidência da França, Patrick Strzoda, assumiu nesta terça-feira a responsabilidade pela criticada gestão do escândalo que envolve o ex-chefe de segurança de Emmanuel Macron, Alexandre Benalla, que agrediu manifestantes no dia 1º de maio se passando por policial.

Em audiência na comissão de investigação parlamentar aberta para investigar o caso, o mais grave enfrentado por Macron desde que assumiu o poder, Strzoda explicou por que propôs a aplicação de uma punição de apenas 15 dias ao guarda-costas e também esclareceu os motivos que o levaram a não denunciá-lo à Justiça.

"Fui eu quem propôs os 15 dias e fui eu mesmo que informei essa decisão ao próprio senhor Benalla. O presidente estava a 10 mil quilômetros (em uma viagem para a Austrália). Era uma medida de gestão interna. Nunca conversei com ele sobre isso", disse.

O caso foi repassado a Macron pelo secretário-geral do Palácio do Eliseu, Alexis Kohler, funcionário de maior escalão na sede da presidência.

"Entendo que se possa considerar que (a sanção) não era adequada. No que a mim diz respeito, assumo a decisão", afirmou Strzoda, argumentando que não houve oposição de Kohler e Macron.

O chefe de gabinete, que se aposenta em outubro, também justificou por que não denunciou Benalla pelas agressões aos manifestantes, como prevê no Código Penal.

O artigo 40 do Código Penal determina que toda a autoridade ou funcionário público tem a obrigação de denunciar um ato delitivo.

"É verdade que houve uma intervenção alheia à profissão dele. Ele não tinha que estar lá, mas considerei que não tinha elementos suficientes para utilizar o artigo 40", ressaltou Strzoda, que ainda revelou ter autorizado Benalla a participar da manifestação.

O ex-chefe de segurança do presidente foi convidado para o protesto por Laurent Simonin, do alto escalão da polícia, um dos cinco acusados por envolvimento no escândalo.

O chefe de gabinete também deu detalhes sobre as atribuições de Benalla, demitido depois de o jornal "Le Monde" revelar o caso. Segundo Strzoda, ele não era um mero guarda-costas.

"Sua função era vigiar, coordenar todos os serviços envolvidos nos deslocamentos do chefe de Estado. Fui eu quem contratou Benalla por suas comprovadas qualidades de organização ainda na campanha eleitoral", disse Strzoda.

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