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Assad diz que libertação de Idlib é prioridade para a Síria

26/07/2018 16h04

Moscou, 26 jul (EFE).- O presidente da Síria, Bashar al Assad, garantiu nesta quinta-feira em entrevista a veículos de imprensa da Rússia que a libertação da província de Idlib, o último refúgio da oposição armada no país árabe, é uma prioridade para o exército sírio.

"Atualmente, Idlib é nosso alvo, mas não só. (...) Desde o início da guerra, quando os terroristas assumiram o controle de algumas regiões da Síria, dissemos que nosso dever como governo é libertar cada centímetro do território sírio", disse Assad.

Após constatar que as forças governamentais estão "concluindo a libertação da parte sudoeste da Síria", Assad assinalou que os "militares determinarão" os próximos alvos, "e um deles é Idlib".

"Há outros territórios na parte leste da Síria controlados por diversos grupos como Estado Islâmico (EI) e Frente al Nusra, além de outras formações extremistas. Por isso também avançaremos para todas essas regiões", garantiu Assad.

Agora que a ofensiva de Damasco contra os últimos redutos da oposição nas províncias sulinas de Deraa e Al Quneitra (na fronteira com a Jordânia) está a ponto de concluir, Idlib é a última região da Síria controlada praticamente em sua totalidade por milícias rebeldes.

"Há dezenas de milhares de terroristas em Idlib", disse Assad, que também tachou de extremistas os ativistas da ONG "Capacetes Brancos", parte dos quais foram evacuados há poucos dias para a Jordânia através das Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O presidente sírio afirmou que muitos "Capacetes Brancos" são guerrilheiros e "a maioria deles foi para Idlib, onde podem viver com seus irmãos terroristas".

"O destino dos 'Capacetes Brancos' será como o de qualquer terrorista. Eles têm duas saídas. Ou entregam as armas e se aproveitam da anistia (...) ou serão aniquilados como outros terroristas", afirmou Assad.

Para o presidente sírio, os "Capacetes Brancos" são uma "fachada para os terroristas de Al Nusra", e argumentou que na internet há muitos vídeos e fotos que mostram "membros dessa organização com espadas nas mãos, comemorando o assassinato de soldados sírios diante de seus corpos".

Em suas sucessivas ofensivas para recuperar territórios controlados pela oposição, em Aleppo, Ghouta Oriental, na margem esquerda do rio Eufrates e, nas últimas semanas, no sul do país, o exército sírio permitiu que milicianos e civis contrários ao governo fossem removidos dessas regiões para Idlib.

Agora, tudo indica que Idlib poderia ser o próximo alvo das forças governamentais e de seus aliados russos, que já começaram uma campanha informativa para denunciar as milícias da oposição que permanecem nessa região.

"A tensão continua aumentando na região de distensão de Idlib. Apesar do regime de cessar-fogo, há registro de violações do mesmo por parte dos grupos armados ilegais" que atuam nessa província, disse ontem aos veículos de imprensa russos o comandante do Centro para a Pacificação do Conflito da Rússia, Alexei Tsigankov.

O oficial russo denunciou trocas de tiros em várias localidades das províncias de Latakia e Aleppo, vizinhas a Idlib, e afirmou que as milícias opositoras preparam uma ofensiva contra as tropas de Damasco.

"É possível observar concentrações de grandes grupos (de guerrilheiros) em várias direções: nas montanhas do norte de Latakia, no vale de Al Gab, na fronteira entre as províncias de Idlib e Hama, e nas áreas ao leste da cidade de Aleppo", disse Tsigankov.