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Internacional

Puigdemont retorna à Bélgica e insiste em independência da Catalunha

28/07/2018 12h59

Bruxelas, 28 jul (EFE).- O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, que é considerado foragido pela Justiça da Espanha pelo processo independentista na região autônoma, advertiu neste sábado ao governo em Madri que no segundo semestre termina o "período de graça" e que o apoio independentista no Congresso "não é um cheque em branco".

As declarações de Puigdemont foram feitas em uma entrevista coletiva após seu retorno à Bélgica da Alemanha, junto com o atual presidente da Catalunha, Quim Torra.

"Setembro, outubro, não vamos estipular um dia concreto no calendário", disse Puigdemont, "mas é razoável pensar que, depois do verão (na Europa), ao retomar o curso, (Sánchez) nos esclareça sobre qual é a sua receita" para a Catalunha.

Torra lembrou que em seu encontro com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, em 9 de julho, já tinha lhe dito que "o outono (no hemisfério norte) seria complicado" e reiterou que a postura do executivo autônomo da Catalunha é "diálogo, diálogo, diálogo", sem descartar opções como a de uma "mediação" com o governo central.

Puigdemont fez questão de esclarecer que não se trata de "condicionar" o apoio a Sánchez de seu partido, o PDeCAT, no Congresso espanhol, mas que é de "bom senso" esperar que "se há apoio, ele tem que ser correspondido".

"Esperamos que Sánchez aproveite o verão (europeu) para fazer o dever de casa", acrescentou o ex-presidente catalão.

Questionados sobre a condição 'sine qua non' de um referendo de independência para a "receita política" que pedem a Sánchez, Torra disse que "esta legislatura vem do direito à autodeterminação, dos presos políticos e exilados".

Puigdemont, por sua vez, disse que "a via prioritária", a "melhor para todos" é alcançar "acordos bilaterais", mas não esclareceu se renuncia completamente à via unilateral como último recurso.

O ex-presidente foragido se pronunciou para a imprensa neste sábado pela primeira vez após seu retorno à Bélgica, ao lado de Torra e de uma delegação do governo catalão.

Em uma conferência de imprensa com grande presença de meios internacionais, Puigdemont foi perguntado sobre o seu apoio na Catalunha e sobre quem é agora o presidente da região autônoma.

"O presidente é Quim Torra. Ele é quem gere (...) e quem comparece diante do Parlament (parlamento regional)", afirmou o ex-presidente catalão.

Puigdemont explicou que a Bélgica "não é sua última parada", pois pensa em viajar "até o último canto da Europa" em defesa da "causa justa do povo catalão" e até que sejam libertados todos os independentistas presos.

"Hoje é um dia importante no terreno político, mas também no emocional", disse Puigdemont, que explicou que levou "quatro meses e quatro dias" para chegar em Bruxelas, para onde viajava quando foi detido na Alemanha em cumprimento de uma ordem de detenção europeia que foi retirada na quinta-feira passada pelo Tribunal Supremo da Espanha.

O ex-presidente catalão, e vários outros ex-conselheiros foragidos, são acusados na Espanha de crimes de rebelião e malversação de recursos públicos, entre outros.

Tribunais de Bélgica e Alemanha, no entanto, rejeitaram a extradição em execução das ordens europeias contra eles pela totalidade dos delitos, especialmente no que diz respeito ao crime de rebelião.

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