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Navio de ONG espanhola recebe ordem para deixar águas tunisianas

30/07/2018 11h13

Zarzis (Tunísia), 30 jul (EFE).- O navio da ONG espanhola Open Arms, que tinha recebido há algumas horas autorização para ancorar em águas territoriais da Tunísia, deverá abandoná-las e não poderá oferecer assistência à embarcação "Sarost 5", que tem bandeira tunisiana e está bloqueada há duas semanas com 40 imigrantes a bordo.

"Nossa presença os intimida. Eles estão nos fazendo de bobos. Primeiro a guarda costeira nos dá permissão e agora o controle do porto nos ordena deixar as 12 milhas (delimitação das águas territoriais)", disse à Agência Efe o presidente da ONG, Oscar Camps, que ressaltou que quer evitar um confronto com as autoridades que poderia imobilizar o navio.

"Se o governo tunisiano abandonou durante estas duas semanas o seu capitão, o seu concidadão, cujo único erro é respeitar o direito internacional marítimo, o que ele vai fazer com as outras pessoas?", questionou Camps.

Segundo uma fonte local, esta decisão responde à evacuação "iminente" do "Sarost 5", já que "depois do anúncio oficial (de sábado) do primeiro-ministro (tunisiano Youssef Chahed), eles não podem voltar atrás".

A Open Arms, que chegou nesta madrugada ao litoral de Zarzis (sul), estava a menos de três milhas de distância do petroleiro, aguardando ordens para poder intervir, já que dispõe de ultrassom para prestar atendimento às duas mulheres grávidas, de dois e cinco meses, cuja remoção foi negada em várias ocasiões pelas autoridades tunisianas.

O navio da ONG espanhola chegou na sexta-feira durante a noite em águas tunisianas, a apenas três milhas do "Sarost 5", mas teve que retornar horas mais tarde para Malta para a evacuação urgente de um de seus socorristas.

A ONG afirmou que seu objetivo era garantir as condições de acolhimento de um porto que considera "inseguro" e oferecer assistência médica em cooperação com o Crescente Vermelho.

Apesar do anúncio do governo tunisiano no sábado de que receberia os imigrantes, a tripulação do "Sarost 5" garantiu para a Efe que não recebeu nenhuma comunicação por parte das autoridades e continua esperando autorização para atracar.

No dia 14 de julho, a plataforma marítima petrolífera Miskar, da companhia British Gas, localizou em águas internacionais uma embarcação à deriva que tinha partido do litoral líbio para tentar atravessar o Mediterrâneo.

A embarcação de abastecimento "Sarost 5" fez o resgate e partiu para o porto de Sfax - que fica a 75 milhas - seguindo as ordens das autoridades tunisianas. No entanto, assim que chegou ao porto, recebeu a instrução de se dirigir para Zarzis - que fica a 76 milhas de distância mais ao sul - para, finalmente, ter a autorização de desembarque rejeitada e ficar à espera de novas "instruções".

Os resgatados têm entre 17 e 36 anos, entre os quais estão as duas gestantes, e são originários de Egito, Bangladesh, Camarões, Senegal, Guiné, Costa do Marfim, Serra Leoa e Ambazônia (região independentista de Camarões).

Segundo várias ONGs locais, que fizeram um apelo para que o governo tunisiano acolhesse o navio, a Tunísia não quer se transformar em um "porto seguro", o que criaria um precedente e poderia consolidar a iniciativa europeia de estabelecer "plataformas regionais de desembarque" fora do continente europeu para fazer o cadastro e triagem dos imigrantes.