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Justiça chinesa condena à morte escritor que "confessou" 4 mortes em livro

31/07/2018 05h21

Pequim, 31 jul (EFE).- O escritor chinês Liu Yongbiao, que assassinou quatro pessoas há quase 24 anos, mas ficou em liberdade até 2017 e se inspirou nesses crimes para escrever um de seus romances, foi condenado à morte por um tribunal da província de Zhejiang, informou nesta terça-feira a agência oficial de notícias "Xinhua".

Liu, de 54 anos, e um vizinho de sua cidade, Wang, de 65, que também participou dos crimes, foram condenados à morte por roubo e homicídio, segundo a sentença emitida pelo Tribunal Popular Intermediário de Huzhou, que também ordenou a privação dos seus direitos políticos e confiscar suas propriedades.

Liu e Wang, de acordo com a decisão judicial, mataram com o objetivo de roubar uma família de três pessoas (dois avós e seu neto) que comandava um hotel da cidade de Shengshe, na madrugada do dia 29 de novembro de 1995, assim como um cliente do estabelecimento, onde eles também ficaram, mas não deixaram seus nomes registrados.

O crime "foi cruel e de graves consequências", afirmou o tribunal na sentença.

Liu e Wang conseguiram escapar após o homicídio e levaram uma vida normal durante mais de 20 anos; o primeiro se tornou em um conhecido escritor na província de Anhui, até que análises de DNA determinaram que eles eram os principais suspeitos do crime não solucionado.

Informações publicadas no ano passado relataram que quando a polícia foi até a casa de Liu, em Anhui, ele os recebeu com a frase: "Estava esperando por você todo esse tempo".

Acredita-se que Liu tenha usado sua própria experiência como assassino em um de seus romances, "O segredo culpado", publicado em 2010, na qual já adiantava no prólogo que sua intenção era "escrever sobre uma bela romancista que matou muita gente, mas os crimes não foram resolvidos".