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Depressão pós-parto não é só coisa de mulheres, aponta pesquisa

09/08/2018 17h04

Redação Central, 9 ago (EFE).- A depressão pós-parto não é só coisa de mulheres, já que os pais de primeira viagem sentem em uma proporção similar às mães, segundo as conclusões de pesquisas apresentadas nesta quinta-feira na convenção anual da Associação de Psicologia dos Estados Unidos.

"Pesquisas recentes mostraram que aproximadamente 10% dos pais principiantes passaram por depressão pós-parto", explicou Dan Singley, do Center for Men's Excellence em San Diego, durante a convenção, realizada em San Francisco (Califórnia).

Além disso, até 18% desses pais sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade após o nascimento do bebê, segundo Singley.

Essas taxas de incidência são comparáveis às das mães de primeira viagem, por isso que "a depressão pós-parto já não pode ser vista principalmente como uma variante patológica dos processos reprodutivos femininos", mas "o paradigma existente deve ser modificado", ressaltou Singley.

Na mesma linha, Sara Rosenquist, do Center for Reproductive Health Psychology em Cary (Carolina do Norte), lembrou que a "narrativa predominante" atribuiu a depressão e outros transtornos que surgem depois de dar à luz "a mudanças hormonais e oscilações especificamente relacionadas com a gravidez e o parto".

Mas "é muito pouco provável que as alterações hormonais da gravidez e o parto expliquem o panorama completo se os pais biológicos e os que adotam sentem a depressão pós-parto em taxas similares", argumentou Sara durante sua apresentação na convenção.

Foram feitas muitas investigações sobre o estresse e a depressão pós-parto nas mães, frente à pouca dedicação para identificar as taxas de prevalência, causas, consequências e tratamento de problemas de saúde mental nos pais, de acordo com Singley.

"Infelizmente, poucos psicólogos recebem capacitação centrada em identificar, avaliar e tratar problemas comuns de homens no período desde a concepção até um ano depois do nascimento", disse o pesquisador.

A essa realidade se soma ao fato de que os homens são reticentes a procurar serviços de saúde mental durante esse período.

Ambos especialistas recomendam submeter os pais a revisões regulares durante a gravidez e depois do parto para detectar possíveis sinais de depressão.

No entanto, identificar a depressão pós-parto nos homens pode ser um desafio, de acordo com Sara, porque os sintomas são diferentes dos apresentados comumente pelas mulheres.

"As mulheres são mais propensas a reportar sentimentos de tristeza e choro frequente, enquanto os homens são mais propensos a se sentirem irritados e socialmente desligados", detalhou Sara.

Segundo Singley, os pais que contam com "redes sólidas de apoio social" encontram nelas "um amortecedor frente aos conflitos e demandas associadas com a criação dos filhos".