Suu Kyi se nega a responder ao TPI sobre êxodo dos rohingyas

Bangcoc, 10 ago (EFE).- O escritório da líder de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, se nega a responder um pedido do Tribunal Penal Internacional (TPI) da Haia sobre o êxodo de uns 690 mil membros da minoria rohingya a Bangladesh, o que poderia constituir um crime contra a humanidade.

"Mianmar está preocupada com a falta de igualdade e transparência dos procedimentos do TPI", indicou o escritório da governante em comunicado divulgado nesta sexta-feira no Twitter pela Agência para a Ajuda Humanitária, Realojamento e Desenvolvimento em Rakain do governo birmanês.

O escritório de Suu Kyi, que oficialmente ocupa o cargo de conselheira de Estado, reiterou que o TPI não tem jurisdição sobre Mianmar porque não é signatária do Estatuto de Roma, instrumento constitutivo do tribunal internacional.

O comunicado da líder chega após a corte perguntar em junho às autoridades birmanesas sobre "as circunstâncias" da saída dos rohingyas, que, segundo a Promotoria deste órgão, pode constituir um crime de contra a humanidade.

O Escritório da Promotoria do TPI solicitou dados de diversos organismos da ONU, veículos de imprensa e ONGs como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch para documentar os supostos abusos sofridos desde agosto de 2017 por esta minoria muçulmana, não reconhecida pelas autoridades birmanesas.

Mianmar acusou em fevereiro este tribunal de "anular" o seu princípio de soberania com a possível investigação.

No entanto, a Promotoria argumenta que Bangladesh, país ao qual fugiram os rohingyas, ratificou tal estatuto e está sob jurisdição da Haia desde 2010.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, qualificou a situação dos rohingyas como um "exemplo de manual de limpeza étnica".

O governo e exército de Mianmar rejeitaram a maioria das acusações, embora em abril um tribunal de Mianmar condenou a dez anos de prisão sete soldados que participaram em setembro do ano passado no assassinato de dez rohinygas.

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