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Cristina pede que Senado autorize operações de busca pedidas por juiz

21/08/2018 20h36

Buenos Aires, 21 ago (EFE).- A ex-presidente e atual senadora da Argentina, Cristina Kirchner, pediu nesta terça-feira que seus colegas de Senado autorizem as operações de busca e apreensão pedidas pelo juiz Claudio Bonadio, que a investiga em uma série de casos de corrupção, em três imóveis pertencentes a sua família.

"Vale esclarecer que essa decisão não significa convalidar a irracionalidade das medidas propostas por Bonadio em sua cruzada persecutória contra a minha pessoa, mas que tem como principal objetivo encerrar, de uma vez por todas, o show montado em torno dessas buscas sem fundamentos", disse Cristina nas redes sociais.

Devido ao mandato de senadora, a ex-presidente tem foro privilegiado e só o Senado pode autorizar solicitações como as feitas por Bonadio. Após duas tentativas fracassadas de votar os pedidos do juiz, o tema voltará a ser debatido amanhã.

Na primeira ocasião, alguns senadores alegaram falta de tempo para ler os documentos enviados por Bonadio. Na segunda, os peronistas, maioria no Senado, não compareceram em número suficiente para que a sessão fosse aberta.

"Tenho muito claro para mim que tal atitude não foi por solidariedade pessoal nem 'corporativa', mas, pelo contrário, obedeceu à firme decisão política de não convalidar a utilização da Justiça como instrumento de perseguição política de opositores ou de distração midiática para a população", afirmou Cristina.

Cristina é investigada em um grande escândalo de pagamentos de propina realizados por empresários em troca de benefícios em concessões de obras públicas durante o seu governo, entre 2007 e 2015, e no período em que seu marido, Néstor Kirchner, já falecido, esteve no poder entre 2003 e 2007.

Como já fez em outras oportunidades, Cristina afirmou que é vítima de perseguição judicial para que o atual presidente do país, Mauricio Macri, consiga desviar a atenção da população da grave crise social e econômica enfrentada pela Argentina.

A senadora informou que pediu ao presidente de seu partido no Senado que comunique aos diferentes grupos da casa que não há inconveniente em autorizar os pedidos de busca de Bonadio.

"O Senado deve garantir que as medidas levadas adiante sejam apenas para coletar provas relacionadas com o objetivo da investigação e não para obter imagens ou filmagens do interior dos meus imóveis, dos objetos que deles fazem parte, para posterior divulgação midiática com intencionalidade política", disse Cristina.

Bonadio, que já chegou a pedir a suspensão do foro privilegiado da ex-presidente, quer que os agentes façam buscas em um apartamento utilizado por Cristina em Buenos Aires e em duas casas que ela possui nas cidades de Calafate e Río Gallegos.

Cristina também pediu que os agentes responsáveis pelas buscas estejam acompanhados de seus advogados e de um senador designado por ela. Outra solicitação da ex-presidente foi para que objetos de uso pessoal sejam preservados durante a operação.

"Para ser mais clara, senhoras e senhores senadores, se encontrarem barras de ouro, milhões de dólares ou pedras preciosas, podem levá-las. Mas se encontrarem um anel ou um colar está claro que eles são objetos do meu uso pessoal", esclareceu Cristiana.

Por fim, a ex-presidente pediu que Bonadio tenha especial cuidado com a casa de Calafate, onde Néstor Kirchner morreu em 2010. Recentemente, em uma das ações que fazem parte da investigação do escândalo, o juiz pediu que paredes fossem quebradas em apartamentos que ficam no prédio de Cristina na capital.

"Lá aconteceu o momento mais doloroso da minha vida e, portanto, a preservação do local como está é muito importante para mim e para minha família", disse a agora senadora argentina.