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Senado argentino autoriza operação de busca em imóveis de Cristina Kirchner

22/08/2018 21h47

Buenos Aires, 22 ago (EFE).- O Senado da Argentina autorizou nesta quarta-feira que a Justiça realize operações de busca e apreensão em imóveis pertencentes à ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, acusada de ter participação em escândalo de pagamento de propina por empresários a funcionários do governo.

Após duas tentativas fracassadas de votar a autorização nas últimas semanas, os senadores aprovaram por unanimidade as solicitações feitas pelo juiz responsável pelo caso, Claudio Bonadio, de vistoriar imóveis da ex-presidente em Buenos Aires e no sul do país em busca de provas para auxiliar as investigações.

Bonadio precisava da autorização parlamentar para realizar as operações porque a ex-presidente tem foro privilegiado devido ao mandato como senadora. Em carta publicada ontem, Cristina pediu que os colegas de Senado aprovassem as solicitações e voltou a afirmar ser vítima de uma perseguição judicial.

"Vale esclarecer que essa decisão não significa convalidar a irracionalidade das medidas propostas por Bonadio em sua cruzada persecutória contra a minha pessoa, mas que tem como principal objetivo encerrar, de uma vez por todas, o show montado em torno destas buscas sem fundamentos", disse Cristina na carta.

A ex-presidente tinha colocado como condição que os agentes não fizessem gravações ou fotos em seus imóveis. E também exigiu que seus advogados e um senador designado por ela acompanhassem a operação. No entanto, Bonadio não deve acatar os pedidos.

Apesar da votação unânime, a votação foi repleta de polêmica. Cristina disse ser vítima de uma "manipulação descarada, humilhante e grosseira" e prevê vazamentos de imagens de seus imóveis para os veículos da imprensa argentina.

"Se faltava algo para consagrar o uso do poder judicial como instrumento de perseguição política na Argentina não falta mais", disse a ex-presidente, que é investigada em seis processos.

"É lícito que haja pessoas que não me queiram, eu também não quero alguns. O que não é lícito é que queiram fazer parecer que estamos diante de um sistema justo, transparente e com juízes imparciais", criticou a atual senadora.

De um lado, correligionários da ex-presidente acusaram o governo de Mauricio Macri de promover a perseguição política de Cristina para tirar o foco da crise econômica vivida pelo país. Do outro, senadores da situação defendiam as operações pedidas por Bonadio.

"Essa denúncia que envolve dinheiro sujo tem muita relação com esse grande buraco negro que afeta os argentinos", disse o senador Luis Naidenoff, aliado de Macri.

Antes mesmo da votação, que ocorreu após quase sete horas de debate, eleitores da ex-presidente se reuniram em frente ao apartamento de Cristina em Buenos Aires, à espera do início da operação solicitada por Bonadio.

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