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Polícia prende ex-embaixador que propôs referendo contra presidente do Egito

23/08/2018 13h45

Cairo, 23 ago (EFE).- O ex-embaixador e político egípcio Maasum Marzuq foi detido nesta quinta-feira em casa, nos arredores do Cairo, após ter proposto no início do mês a realização um referendo sobre a permanência no poder do presidente do país, Abdul Fatah al Sisi.

Uma fonte do Ministério do Interior egípcio disse à Agência Efe que Marzuq e o também político Raid Salama, que participou da mesma iniciativa, foram detidos e que outros integrantes do grupo que elaborou a proposta que questiona o apoio popular a Sisi estão sendo procurados pela polícia.

O advogado de direitos humanos Jaled Ali, que está em contato com as famílias de ambos os detidos, informou que as forças de segurança cercaram a residência de Marzuq e o prenderam, confiscar um computador, um celular e as câmeras de segurança do imóvel.

Segundo Ali, a família foi informada que o ex-embaixador seria levado às dependências da polícia de Gizé, mas um advogado de defensa enviado não o encontrou no local. De acordo com ele, Marzuq está "em um lugar desconhecido", assim como Raid Salama.

Ali explicou que, quando Salama e a esposa retornaram para casa nesta quinta-feira, se depararam com os agentes, que apreenderam o computador e outros objetos que estavam no escritório do político.

Marzuq propôs no início de agosto a realização de um referendo sobre o governo de Sisi e garantiu que, se as autoridades ignorassem a iniciativa, convocaria a população à praça Tahrir, epicentro da revolta de 2011, no dia 31 deste mês.

Abdulaziz al Fadaly, líder do grupo político Tayar al Karama (Corrente da Dignidade), do qual Salama é dirigente, confirmou à imprensa que Marzuq foi detido.

As autoridades egípcias prenderam vários opositores e dissidentes desde o começo de 2018, coincidindo com as eleições de março, incluindo alguns candidatos à presidência que foram detidos após anunciarem a intenção de concorrer ao pleito.