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Governo da Espanha aprova exumação de restos mortais de Francisco Franco

24/08/2018 10h16

Madri, 23 ago (EFE).- O Governo da Espanha aprovou nesta sexta-feira uma reforma legal para permitir a exumação dos restos mortais de Francisco Franco do polêmico Vale dos Caídos e sua mudança a outro local "digno e respeitoso", que a princípio poderá ser decidido pela família do ditador.

A vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, confirmou hoje após a reunião do Gabinete que a exumação de Franco, que governou a Espanha entre 1939 e 1975, será feita mediante uma modificação da Lei de Memória Histórica de 2007, com a previsão de que todo o procedimento esteja terminado "no final do ano".

A fórmula empregada pelo Executivo presidido pelo socialista Pedro Sánchez pretende blindar a exumação de Franco do ponto de vista legal, para evitar que eventuais recursos possam atrapalhar o processo.

A este respeito, o real decreto aprovado hoje dá voz à família Franco para que decida para onde quer transferir os seus restos mortais e, caso que não se pronunciem ou se neguem a fazê-lo, o próprio Governo deverá decidir seu destino definitivo.

"Tudo com as garantias legais", ressaltou Carmen, que insistiu no "caráter urgente" desta exumação e que "não se pode perder nem um só instante" para realizar essa tarefa.

Após sua morte, em 1975, depois liderar um regime ditatorial ao qual chegou por meio de uma sangrenta guerra civil (1936-39), Francisco Franco foi enterrado em um local do Vale dos Caídos, um complexo monumental que ordenou construir na serra 50 quilômetros ao norte de Madri.

Construído por presos republicanos que faziam trabalhos forçados, no local estão sepultadas milhares de vítimas da guerra civil, tanto do lado franquista como da República, que em 1936 era o sistema político legal na Espanha.

O Vale dos Caídos é objeto de polêmica há décadas, sem que haja acordo no debate sobre o que fazer com ele, já que a presença dos restos mortais de Franco o faz ser um símbolo da ditadura.

No local também está enterrado José Antonio Primo de Rivera, líder da Falange Espanhola, um movimento de inspiração fascista dos anos 1930.

Carmen Calvo disse que o caso de Primo de Rivera é diferente do de Franco, já que, como milhares de enterrados lá, ele foi "vítima da guerra", ao ter sido aprisionado e fuzilado pelos republicanos nos primeiros meses do conflito.

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