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Internacional

Rússia mostra seu novo armamento ao mundo em feira internacional

25/08/2018 19h16

Ignacio Ortega.

Kubinka (Rússia), 25 ago (EFE).- A Rússia está exibindo seu novo armamento ao mundo em uma feira internacional marcada pelas sanções americanas e da qual participam representantes de países aliados do Kremlin, como China, Irã e Coreia do Norte, assim como outros ocidentais.

"A Rússia não tem nada a esconder. Exibimos nossas conquistas. Estamos abertos a nossos colegas estrangeiros", garantiu neste sábado à Agência Efe o general Roman Kordiukov no pavilhão de exposições "Patriot" do Ministério de Defesa nos arredores de Moscou.

Depois que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou com estardalhaço que a Rússia conta com armamento nuclear "sem comparação" que pode alcançar qualquer ponto do globo, a feira "Armia" despertou uma grande expectativa este ano.

Mais de cem mil especialistas estrangeiros compareceram à feira para ver os 36 novos equipamentos militares que a Rússia apresenta nesta edição, embora o militar tenha ressaltado que, "na realidade, a Rússia fabricou muitos mais este ano".

"Os primeiros dias superaram todas as nossas expectativas, tanto pelo interesse que causou entre os russos como pelo interesse mostrado por nossos parceiros estrangeiros e colegas", afirmou Kordiukov, que cifrou em mais de 100 os países participantes.

Não é para menos, embora a indústria militar russa não mostre todas as suas cartas. A Rússia é o segundo exportador mundial de armamento depois dos Estados Unidos e, logo após entrar no recinto, se dá de cara com o todo-poderoso míssil intercontinental Topol, que, obviamente, não está à venda.

São maioria os delegados de países asiáticos, de chineses a indianos ou iranianos, que são frequentes clientes da indústria militar russa, embora também haja especialistas e clientes árabes, africanos e europeus.

Entre os latino-americanos se destacou a ausência do maior importador de armas russas do continente, a Venezuela, que não participou este ano da feira devido à instabilidade reinante no país.

Uma das estrelas da feira é o Armata, conhecido como o tanque do futuro e que supera seus similares ocidentais em aspectos como a cápsula blindada que garante a segurança de seus tripulantes e o canhão de 152 milímetros que seus construtores lhe acrescentarão em breve.

Também tem a capacidade de passar praticamente despercebido pelos radares inimigos e controlar simultaneamente até 40 alvos terrestres e 25 alvos aéreos em um raio de 100 quilômetros.

O tanque despertou grande interesse na delegação da Coreia do Norte - o paralelo 38 que separa ambas Coreias é a fronteira mais militarizada do mundo -, cujos integrantes não deixavam de tirar fotos e estudar minuciosamente suas caraterísticas.

Já o sistema de mísseis Sosná, que foi mostrado pela primeira vez em público, é capaz de derrubar alvos que se encontram até a dez quilômetros de distância e cinco quilômetros de altura tanto de dia como de noite.

"Até agora o Ministério de Defesa não nos deixava mostrá-lo em público. Agora começaremos a produção em série", comentou à Efe um representante da companhia que desenvolveu o Sosná.

Por sua vez, o tanque T-90 M demonstrou suas capacidades - uma velocidade 70 km/h e 550 quilômetros autonomia - em um polígono militar adjacente ao pavilhão situado na cidade de Kubinka.

Entre as novidades figuravam também o Buk-M3, equipado com mísseis de médio alcance; o sistema de mísseis autopropulsado Derivatsia-PVO, capaz de derrubar aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro e drones; o blindado Bumerang e o veículo de combate de infantaria Kurganets-25.

"Não vimos as armas das quais Putin falou", lamentou à Efe um delegado sueco, em alusão aos foguetes supersônicos e armas com raios laser que anunciam uma nova "Guerra nas Estrelas".

O monopólio de exportação de armas, Rosoboroneksport, cifrou em mais de US$ 20 bilhões o volume de contratos assinados durante a feira, ao qual se somam pedidos de países asiáticos e africanos, e negociações abertas com países latino-americanos.

"Trata-se de armamento de terra, aparatos não tripulados, veículos de luta radioeletrônica e armamento leve", detalhou Aleksandr Mijeev, chefe do consórcio estatal.

O Rosoboroneksport reconheceu que as sanções são um "incômodo", mas o que Moscou chama de "concorrência desleal" por parte dos Estados Unidos, o maior competidor para a Rússia, não repercutiu na assinatura de novos contratos ou no cumprimento dos acordos já existentes.

Esse é o caso da Turquia, que receberá os prometidos sistemas antiaéreos S-400 a partir do próximo ano. Além disso, antecipou que, a partir de agora, Moscou renunciará ao dólar como moeda de troca nas transações do setor.

A Rússia denunciou ainda as pressões que os EUA exercem sobre certos países para que comprem equipamentos americanos ao invés dos russos, como no caso da Filipinas, cujo ministro de Defesa, Delfim Lorenzana, visitou a feira.

Os presentes, aos quais hoje se somou o grande público, podem ver também as armas que as tropas russas apreenderam com os terroristas jihadistas contra os quais combatem na Síria, por onde já passaram 60.000 soldados russos desde que o Kremlin decidiu intervir no país árabe.

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