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Internacional

Estados Unidos vivem o luto pela morte do senador John McCain

26/08/2018 19h34

Lucía Leal.

Washington, 26 ago (EFE).- As homenagens ao falecido senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain continuaram neste domingo nos Estados Unidos, enquanto o presidente Donald Trump manteve sua breve reação inicial à perda de um dos seus inimigos políticos.

A notícia da morte de McCain, um dos políticos mais conhecidos e respeitados dos EUA, tomou as capas dos jornais e suscitou centenas de reações no país e no mundo todo, enquanto sua família finalizava os preparativos para as cerimônias fúnebres que acontecerão nos próximos dias.

"Foi um grande patriota americano, um estadista que pôs seu país na frente de tudo e enriqueceu a instituição do Senado durante muitos anos de serviço", disse hoje em comunicado o líder da maioria republicana na Câmara Alta, Mitch McConnell.

Os líderes de ambos partidos no Congresso anunciaram que McCain será velado - em uma data ainda por determinar - no Capitólio, uma honra reservada para os "cidadãos mais proeminentes do país" e que até agora só foi oferecida a outros 12 senadores desde que a prática começou em 1852.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, propôs ainda dar o nome de McCain a um dos edifícios da Câmara Alta.

Também haverá um velório na quarta-feira, dia no qual McCain teria completado 82 anos se não tivesse sucumbido ao seu câncer cerebral, no capitólio estadual do Arizona, em Phoenix, e na quinta-feira será realizada uma missa em sua memória na mesma cidade.

O funeral em Washington acontecerá no sábado na Catedral Nacional e, um dia depois, McCain será enterrado em cerimônia privada no cemitério da Academia Naval de Annapolis (Maryland), muito perto de Washington.

No seu livro de memórias "The restless wave" ("A onda inquieta"), McCain explicou este ano que queria que lhe sepultassem na academia onde se formou como militar, "onde tudo começou", e ao lado do grande amigo que fez ali, Chuck Larson, que morreu em 2014.

A expectativa é que no funeral do sábado, que será transmitido ao vivo na internet e pela televisão, se pronunciem os ex-presidentes Barack Obama (2009-2017) e George W. Bush (2001-2009).

Ambos políticos chegaram à presidência após disputas com McCain, o primeiro nas eleições gerais de 2008 e o segundo nas primárias republicanas de 2000, mas também forjaram uma relação de profundo respeito com o veterano político e ex-capitão da Marinha, a quem elogiaram generosamente em diferentes comunicados neste sábado.

Esse vínculo com os dois ex-presidentes mais recentes dos EUA contrasta com a tensa relação que McCain mantinha com Trump, a quem, segundo relatos da imprensa, sua família pediu que não compareça ao funeral, convidando em seu lugar o vice-presidente, Mike Pence.

As diferenças de Trump com McCain eram notórias desde a campanha eleitoral do primeiro em 2015, quando minimizou os cinco anos que seu companheiro de partido tinha passado preso na guerra do Vietnã, e disse que preferia "pessoas que não foram capturadas".

Desde que Trump chegou ao poder, McCain criticou sua política externa, afundou com seu voto uma medida apoiada pelo presidente para revogar a reforma sanitária de Obama, e alertou sobre o "egoísmo" e "simpatia pelos autocratas" do governante.

Trump não fez nenhum comentário quando, nesta sexta-feira, a família de McCain anunciou que o senador tinha decidido interromper seu tratamento médico, e reagiu à notícia da sua morte com um curto tweet no qual expressava sua "mais profunda compaixão e respeito" aos familiares do legislador, sem nenhum elogio para o falecido.

Na última hora do sábado, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, anunciou que a bandeira da residência presidencial tinha sido colocada à meia-haste, mas Trump não fez nenhum comentário a respeito, e hoje escreveu dois tweets sobre o bom estado da economia antes de dedicar o dia a jogar golfe.

Por outro lado, várias figuras do Partido Democrata renderam hoje homenagens a McCain, entre elas a ex-candidata presidencial Hillary Clinton, que disse à emissora "NBC News" que o senador "realmente entendia, no mais profundo de seu ser, o que significa ser americano".

Por sua vez, o cantor Stevie Wonder foi informado no meio de um show na noite do sábado da morte de McCain e lhe dedicou uma versão de "Just The Way You Are", enquanto nos jornais proliferavam análises e editoriais que atribuíam ao legislador uma forma diferente de fazer política, já quase extinta, baseada na experiência e na honestidade.

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