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Advogado de Cristina Kirchner denuncia "ilegalidades" em buscas policiais

27/08/2018 15h40

Buenos Aires, 27 ago (EFE).- Um dos advogados da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner denunciou nesta segunda-feira que houve "ilegalidades" nas buscas feitas pela polícia nos três endereços da atual senadora, que foram ordenadas na semana passada pelo juiz que investiga se ela recebeu propina de empresários durante o seu governo e de seu falecido marido Néstor.

O advogado Carlos Beraldi emitiu um comunicado no qual afirmou que foi "impedido de acompanhar" a operação realizada na quinta-feira passada na residência da ex-governante no bairro portenho de Recoleta, "violando expressamente as disposições constitucionais" e "a lei ditada em consequência".

Beraldi também considerou que não foi respeitada a disposição do Senado quando este autorizou por unanimidade - com o voto favorável da própria Cristina - a realização das buscas, um passo necessário pois a senadora possui imunidade parlamentar.

"Todas essas ilegalidades já foram denunciadas à Justiça penal competente, ao Conselho da Magistratura, ao Colégio de Advogados e será especificada a cada um dos líderes das bancadas do Senado", assinalou Beraldi.

Além disso, o advogado indicou que o procedimento realizado na sexta-feira na casa da ex-presidente na cidade do Calafate, no extremo sul do país, "foi estendido no tempo de maneira ilegal e deliberada com o inequívoco propósito de continuar gerando alarde e material para as capas dos jornais de fim de semana".

O advogado criticou os vazamentos à imprensa de informações "absolutamente falsas" e negou que, segundo publicaram alguns veículos de imprensa, existam cofres, documentos e "objetos" que possam ter procedência ilícita.

Para Beraldi, o que o juiz Claudio Bonadio ordenou confiscar não está relacionado com o objetivo do caso e, além disso, "são efeitos que compõem o enxoval doméstico, cuja apreensão não tem outra finalidade senão causar dano e humilhação".

O advogado também denunciou que as autoridades levaram documentação que tem relação direta com o cargo de senadora que Cristina exerce atualmente, o que, segundo ele, demonstra a "perseguição política" à qual sua cliente está submetida.

Além disso, Beraldi assinalou que a empregada doméstica e dois familiares de Cristina entraram em sua residência em Buenos Aires neste sábado, dois dias depois da operação policial, e quando estavam limpando o quarto da ex-governante "sentiram enjoo, forte coceira na garganta e nos olhos e dificuldade para respirar".

"Depois de passarem por exames médicos, ficou constatado que os problemas sofridos têm origem em uma substância tóxica de contato, e os médicos recomendaram que se evite, por todos os meios, uma nova reexposição ao mesmo ambiente. Por isso, minha cliente decidiu não retornar a esse cômodo", denunciou o advogado.

Para Beraldi, o ocorrido "é mais um episódio da saga de dois anos e meio de fustigações e perseguições" contra a ex-governante, que são próprios de "uma sociedade pré-democrática, na qual os direitos e as garantias dos cidadãos, pelo menos dos opositores ao atual governo, são diretamente eliminados".

Por sua vez, o chefe da Polícia Federal, Néstor Roncaglia, garantiu ao canal "Todo Noticias" que os efetivos que participaram das operações de busca não usaram "nenhum tipo de substância química" e insistiu que os mesmos agiram sempre com base no que determina a Justiça.

A investigação de Bonadio indiciou muitos empresários e ex-funcionários públicos, dos quais cerca de 15 já fizeram delação premiada e estão colaborando com a Justiça.

O caso veio à tona após a divulgação dos cadernos de Oscar Centeno, um motorista do Ministério de Planejamento que anotou os percursos que supostamente fazia para entregar malas de dinheiro de empresários para funcionários e agentes públicos durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner.