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Don McGahn, o escudo legal de Trump que perdeu o brilho

29/08/2018 21h54

Lucía Leal.

Washington, 29 ago (EFE).- Don McGahn aceitou ser advogado da Casa Branca com o objetivo de deixar uma marca conservadora nas leis americanas, mas acabou servindo como um escudo legal do presidente Donald Trump durante as várias polêmicas que marcaram o governo desde janeiro de 2016, um trabalho que, porém, perdeu seu brilho.

McGahn, de 50 anos, foi pego de surpresa com o tweet no qual Trump anunciou que o então principal advogado da Casa Branca deixaria o posto neste trimestre, assim que o Senado confirme Brett Kavanaugh para preencher a vaga em aberto na Suprema Corte.

"Trabalhei com Don durante muito tempo e realmente agradeço por seu serviço", escreveu o presidente americano.

Apesar de o advogado estar planejando a saída do governo, ele ainda não tinha conversado com o presidente sobre o assunto. O jornal "The Washington Post" informou que McGahn foi pego de surpresa com a decisão do agora ex-chefe, mas não teria ficado incomodado com a demissão.

O anúncio veio dias depois de a imprensa americana ter noticiado que McGahn foi interrogado várias vezes pelo promotor especial Robert Mueller, indicado para investigar o chamado "caso Rússia". Os depoimentos do advogado podem ser essenciais para determinar se Trump será acusado por obstrução à Justiça.

Mas o presidente americano garantiu hoje que não está preocupado com o testemunho de McGahn a Muller e foi só elogios ao ex-assessor, definido por ele como "um homem realmente bom".

Em um governo acusado pelo "caso Rússia", McGahn foi mais discreto que os advogados que Trump contratou de forma particular para representá-lo, entre os quais se destaca o ex-prefeito de Nova York, o republicano Rudy Giuliani.

No entanto, isso não significa que McGahn não se envolveu no assunto. Em junho de 2017, ele ameaçou renunciar quando Trump o pediu para demitir Mueller. Além disso, o advogado teria protagonizado "discussões espetaculares" com o presidente para evitar que ele interferisse no Departamento de Justiça.

McGahn já era um advogado renomado em Washington, especializado em leis de financiamento de campanhas eleitorais, quando surgiu a oportunidade de assessorar Trump na candidatura à Casa Branca. O tio de McGahn, Patrick, tinha representado o empresário republicano durante muitos anos.

A campanha de Trump, que na época lutava para obter o reconhecimento do establishment do Partido Republicano, viu em McGahn, que tinha feito parte da Comissão Federal Eleitoral (FEC), um "bilhete de ouro" para abrir caminho na capital do país.

De fato, a saída de McGahn não agradou alguns pesos pesados do partido, como os senadores Chuck Grassley e Mitch McConnell, que indiretamente pediram a Trump para reconsiderar a decisão.

"A saída seria uma grande perda para o governo e para o país", disse McConnell.

O advogado seguiu ao lado de Trump após a vitória sobre Hillary Clinton e se tornou o principal advogado da Casa Branca, um cargo que garante a legalidade das medidas executivas e dos projetos de lei elaborados pelo Executivo. Além disso, McGahn também assumia a responsabilidade de representar o líder em qualquer problema.

Conservador ferrenho, McGahn encarou com entusiasmo a missão de colocar mais juízes alinhados com seu pensamento nos tribunais federais dos EUA, uma das vitórias mais claras de Trump durante os primeiros 18 meses de mandato.

Sessenta dos juízes indicados por Trump já foram confirmados pelo Senado, entre eles um para a Suprema Corte, Neil Gorsuch, o que representa um recorde histórico em relação a outros governos.

O advogado também se envolveu nos planos de Trump para revogar as regulações aprovadas pelo ex-presidente Barack Obama, mas o trabalho era interrompido frequentemente pelas crises envolvendo assessores do republicano, assim como pelas lutas constantes dentro da ala oeste da Casa Branca.

Cansado de confrontos, McGahn quer voltar ao setor privado.

Casado e pai de dois filhos, McGahn nasceu em Atlantic City, em 1968, a mesma cidade onde Trump construiu vários cassinos. O advogado ganhou fama em vários escritórios de Washington antes de se especializar na legislação eleitoral.

Sua saída da Casa Branca é mais tranquila que a de outros aliados que Trump que acabaram sendo publicamente atacados pelo presidente.

Segundo a imprensa americana, McGahn e Trump concordam que o sucessor no cargo deve ser Emmett Flood, um experiente advogado que já faz parte da equipe legal do presidente.

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