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Governo espanhol propõe monumento símbolo do franquismo como cemitério civil

29/08/2018 14h10

(Corrige título).

Madri, 29 ago (EFE).- O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, propôs nesta quarta-feira que, após a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos, o local se torne cemitério civil e não um espaço de reconciliação, como seu partido cogitou em 2011.

A polêmica sobre o futuro do monumento símbolo do franquismo é recorrente na Espanha após mais de 40 anos de democracia e voltou ao centro das atenções depois que o governo de Sánchez anunciou a exumação, que o executivo aprovou na semana passada por decreto.

Em 2011, uma comissão criada pelo anterior executivo socialista recomendava "ressignificar a função" para que deixasse de ser um lugar de memória franquista e passasse a ser um "espaço para a cultura da reconciliação". A proposta foi aceita pelo Partido Socialista e se refletiu em uma proposição de lei apresentada pelo seu grupo no Congresso dos Deputados em dezembro de 2017. No entanto, agora Sánchez passou a defender que o Vale dos Caídos seja apenas um cemitério civil porque não caberia como lugar de reconciliação, já que tradicionalmente foi identificado com o franquismo.

Franco ordenou a sua construção, a 50 quilômetros da capital, depois da Guerra Civil (1936-1939) e nela participaram presos republicanos, que faziam trabalhos forçados.

A polêmica envolve vários partidos. O conservador Partido Popular (PP), no governo até maio deste ano, disse que apoiará tudo o que "mantiver a harmonia" e irá contra tudo o que significar "reabrir feridas". O PP nunca apoiou ou promoveu qualquer mudança para o Vale dos Caídos. Hoje, o líder do partido, Pablo Casado, considerou "absurda" a preocupação do governo com "um morto há 43 anos - Francisco Franco - em vez de focar em aspectos como economia, segurança e imigração. O Podemos, por sua vez, criticou a "retificação" do governo, já que "a posição anterior era mais sensata para virar a página de uma época tão obscura".

Sánchez destacou que a intenção é criar uma Comissão da Verdade sobre a Guerra Civil Espanhola e a ditadura do general Franco (1939-1975) para "de uma vez por todas fechar as feridas que o país segue sofrendo". Associações de direitos humanos, como Anistia Internacional e Rights International Spain, avaliaram positivamente o anúncio, mas alertaram que o Executivo espanhol deve passar de "intenções promissoras a fatos".

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