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Internacional

Trump apoiará ideologia nacionalista em Assembleia Geral da ONU

23/09/2018 13h11

Lucía Leal

Nova York, 23 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participará de sua segunda Assembleia Geral da ONU com um discuso a favor da ideologia nacionalista e com o desafio de defender uma série de políticas unilaterais que irritaram vários aliados dos EUA.

Irã, Coreia do Norte e a luta contra as drogas serão algumas das prioridades de Trump durante a estadia em Nova York, onde na segunda-feira inicia uma agenda de três dias que terá como destaque seu discurso de terça-feira diante da Assembleia Geral e sua estreia como presidente de uma sessão do Conselho de Segurança na quarta-feira.

O discurso destacará a importância de "proteger a soberania" dos Estados Unidos, segundo antecipou na quinta-feira a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"Não é que dizemos que o multilateralismo não pode funcionar; dizemos que a soberania é uma prioridade sobre tudo isso", defendeu a diplomata durante uma entrevista coletiva.

Há um ano, Trump também deu um tom nacionalista em seu primeiro discurso na Assembleia Geral, no qual declarou que "sempre" poria "os Estados Unidos em primeiro", além de ter dito que os líderes dos outros também "deveriam colocar os seus países em primeiro".

No entanto, os defensores do multilateralismo ainda tinham alguma influência no entorno de Trump, e os aliados tradicionais dos EUA teciam laços com o novo Governo com a esperança de que as promessas mais chocantes do líder fossem esquecidas com a passagem do tempo e graças ao peso da burocracia.

Mas desde que Trump deu esse discurso, os EUA se retiraram do pacto nuclear com o Irã e de dois destacados fóruns da ONU: o Conselho de Direitos Humanos e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Trump, que no início de seu mandato também saiu do acordo de Paris sobre a mudança climática e congelou a abertura a Cuba, nos últimos meses reconheceu Jerusalém como capital de Israel, iniciou uma guerra comercial com a China e aumentou as tensões com os países-membros do G7 e da Otan.

"No ano passado, (Trump) insinuou que os 'Estados Unidos em primeiro' era uma ideia compatível com a cooperação internacional. Agora, o presidente encontrará uma audiência global mais cética", escreveu nesta semana Stewart Patrick, um especialista na relação entre os EUA e a ONU, no site do centro Council on Foreign Relations.

Com a retórica protecionista inflamada pela proximidade das eleições legislativas de novembro, nas quais está em jogo o controle do Congresso, Trump chega a Nova York encorajado por uma nova equipe de política externa que não parece preocupada em conter seus instintos mais extremos.

O novo assessor de segurança nacional de Trump, John Bolton, é um cético do multilateralismo, e sua combinação com o novo secretário de Estado, Mike Pompeo, repercutiu em duras ameaças dos EUA ao Irã e ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Nesse contexto de retirada internacional, a tentativa mais notável de Trump de traçar uma agenda positiva é sua aproximação com a Coreia do Norte, embora tenha ocorrido poucos avanços desde a cúpula de junho com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

A reunião bilateral de segunda-feira com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, poderia ser nesse sentido a mais interessante de seus contatos privados em Nova York, onde também planeja se reunir com os presidentes de França e Egito, e os primeiro-ministros de Israel, Japão e Reino Unido, segundo a Casa Branca.

Além disso, na terça-feira também deve ter um encontro com o presidente colombiano, Iván Duque.

Moon realizou nesta semana uma cúpula de três dias com Kim, e quer convencer Trump a apoiar a assinatura de um acordo de paz na península coreana.

A Coreia do Norte centrará também uma reunião ministerial do Conselho de Segurança presidida por Pompeo, que convidou seu colega norte-coreano, Ri Yong-ho, a se reunir com ele em Nova York.

Trump liderará na segunda-feira um encontro de alto nível centrado na luta contra as drogas e na quarta-feira presidirá pela primeira vez uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Esse encontro será dedicado oficialmente à não-proliferação de armas de destruição em massa, mas Trump planeja aproveitá-lo para criticar o Irã e defender sua retirada do acordo nuclear, uma medida que não é apoiada pelos outros países do Conselho de Segurança.

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