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Internacional

May encara reunião do Partido Conservador que marcará o futuro do Brexit

29/09/2018 15h35

Guillermo Ximenis.

Londres, 29 set (EFE).- A disputa entre lados opostos do Partido Conservador que deve acontecer no congresso anual da formação, a partir de domingo, marcará o rumo que o governo da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, seguirá nas negociações do Brexit.

May tentará convencer o grupo que o melhor caminho é ser firme na proposta para criar uma área de livre-comércio de mercadorias em ambos os lados do Canal da Mancha, embora a União Europeia já tenha descartado os principais aspectos do seu plano.

A poucas semanas para o fim do prazo combinado para fechar um acordo, essa rejeição deu nova força aos mais eurocéticos, que pedem para que May diminua as expectativas e proponha à UE um acordo de livre-comércio mais simples, ao estilo do Canadá.

Para convencer o partido, a primeira-ministra precisa mostrar capacidade de negociação diante da UE e força para aprovar no Parlamento o eventual pacto que assinará, o que pode atrapalhar se muitos rebeldes conservadores decidirem votar contra ela.

Na reunião anual do partido em Birmingham, que começará oficialmente amanhã, os ex-ministros Boris Johnson e David Davis, que renunciaram em julho por desacordos com May, possivelmente defenderão a corrente rebelde, junto com o influente deputado Jacob Rees-Mogg. A chefe de governo espera contar com o apoio, mais ou menos explícito, da maioria de seus ministros, que farão discursos no palco principal do congresso.

Os conservadores mais críticos, que já abandonaram o governo ou nunca estiveram nele, lançarão suas críticas de eventos paralelos organizados durante a semana e em suas entrevistas com a imprensa.

Alguns analistas acreditam que os inimigos internos de May deverão modular seus ataques para não derrubarem a líder, diante da falta de candidatos para colocarem à frente das delicadas negociações com Bruxelas.

"Não acho que vamos ver uma guerra aberta, provavelmente não a atacarão. A postura que será adotada por deputados como Rees-Mogg é não criticar a pessoa, mas suas políticas. Não querem uma mudança de líder. Os potenciais rebeldes podem querer que May seja vista como a responsável por tudo que der errado com o Brexit, para que eles possam se apresentar mais tarde para consertar as coisas", explicou à Agência Efe o especialista em política internacional Richard Toye, professor na Universidade de Exeter.

O encontro do partido reúne anualmente milhares de filiados e, por isso, esta é a ocasião apropriada para que os pesos-pesados da formação meçam forças em relação a uma futura competição pela liderança.

Johnson é o principal favorito em todas as apostas para suceder May em algum momento. É o mais popular entre as bases conservadoras e no ano passado levou a maioria dos aplausos no congresso, embora essa força entre os filiados contraste com a desconfiança gerada entre alguns de seus companheiros de bancada parlamentar.

"Existe uma assimetria entre como os deputados conservadores enxergam Johnson - não muito bem - e como os membros ordinários do partido enxergam - de forma muito positiva. Isso faz com que o congresso seja a arena ideal para ele", explicou Dan Stevens, professor de política de Exeter.

Em eventuais primárias, a falta de popularidade de Johnson entre as altas esferas do partido poderia bloquear sua passagem à última rodada do processo eleitoral, na qual as bases votam entre os dois candidatos com mais apoios.

O congresso conservador terminará na quarta-feira com um discurso de May que pode marcar o seu futuro político e o futuro do Reino Unido, que encara a possibilidade de sair do bloco sem acordo em 29 de março, caso não consiga alinhar posturas com a UE, ou do Parlamento derrubar o pacto que ela venha a fazer.

"Todo mundo vai continuar seguindo em frente até que tudo desmorone. Em algum momento, ela será derrubada por uma série de acontecimentos, mas é difícil prever quais e quando. Provavelmente, serão de repente e de surpresa", afirmou o professor Toye.

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