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Personalidades pedem que Parlamento francês averigue pedofilia na Igreja

30/09/2018 06h33

Paris, 30 set (EFE).- Um conjunto de personalidades da França, que se apresentam como "cristãos que são também cidadãos", fizeram um pedido, publicado na revista "Témoignage Chrétien", para que se crie uma comissão de investigação parlamentar sobre a pedofilia na Igreja.

Os assinantes do pedido - entre os quais há ex-ministros, parlamentares, advogados famosos, empresários e responsáveis de associações de vítimas de abusos por parte de religiosos - consideram que esse trabalho não pode ser deixado "nas mãos dos que acobertaram esses desvios".

"Pedimos a criação de uma comissão de investigação parlamentar para que haja um total transparência sobre os crimes de pedofilia e sua dissimulação na Igreja católica, que na França se contenta em repetir as palavras do papa sem tomar nenhuma iniciativa significativa para procurar os crimes que não foram denunciados e, sobretudo, suas causas institucionais e estruturais", afirmaram.

O grupo disse que seu objetivo não é que se explorem "escândalos" mas "acabar com o silêncio ensurdecedor da hierarquia católica em relação aos sofrimentos que, em sua maioria, ignorou e escondeu durante tempo demais".

Uma comissão parlamentar poderia exigir que arquivos diocesanos sejam abertos para informar assim à justiça fatos dos quais não se tem notícia, argumentam as personalidades.

Além disso, a obrigação legal de responder a suas convocações, aos interrogatórios sob juramento e à possibilidade de serem processados por suas ações.

O pedido vai ser levado formalmente aos presidentes dos grupos parlamentares na Assembleia Nacional e no Senado, já que são os deputados e os senadores quem pode decidir sobre sua criação.

Em uma primeira reação, o arcebispo de Paris, Michel Aupetit, não se mostra oposto a esta comissão parlamentar, em entrevista publicada hoje por "Le Parisien".

Aupetit lembra que a Conferência Episcopal criou uma comissão independente "sobre esse assunto em 2016, mas se não for suficiente, é preciso fazer mais".