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Trump critica Arábia Saudita por "encobrimento" da morte de jornalista

23/10/2018 18h56

Washington, 23 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta terça-feira a Arábia Saudita por considerar que o país orquestrou um "encobrimento" da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, e disse que deixará "nas mãos do Congresso" a possível resposta americana ao episódio.

"O conceito original foi muito ruim, colocaram em prática muito mal e o encobrimento foi o pior na história dos encobrimentos. Acho que quem pensou nessa ideia (de assassinar o jornalista) está em muitos apuros, e deveria estar", disse o governante americano no Salão Oval da Casa Branca.

Trump afirmou que muitos líderes de países influentes estão irritados pelo assassinato do jornalista, mas destacou: "Ninguém está mais que eu".

"Tem que haver algum tipo de represália", ressaltou Trump, que antecipou que planeja "deixar nas mãos do Congresso" a decisão sobre a resposta dos EUA. No entanto, o presidente terá a palavra final.

Trump ressaltou que não deve restringir a venda de armas à Arábia Saudita porque "Rússia, China e França se aproveitariam rapidamente" dessa oportunidade de negócio se os EUA a rejeitassem.

O líder não quis esclarecer se concorda com as conclusões do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, quem hoje considerou "premeditado", "selvagem" e "político" o assassinato do jornalista saudita.

"Foi bastante duro com a Arábia Saudita. É uma situação muito ruim, e o presidente Erdogan não teve elogios" em relação ao governo saudita, analisou.

O governante americano também lembrou que a diretora da CIA, Gina Haspel, viajou nesta semana à Turquia para obter mais detalhes sobre o caso de Khashoggi, novidades que Trump deve receber "esta noite ou amanhã".

Khashoggi, um jornalista crítico em relação à monarquia saudita e que vivia em Washington, desapareceu no dia 2 de outubro, quando entrou no consulado saudita em Istambul para buscar documentos.

Depois de várias informações contraditórias, na sexta-feira passada, a Justiça saudita admitiu que Khashoggi morreu em uma "briga" dentro do consulado, e ordenou a detenção de 18 suspeitos.

Erdogan propôs nesta terça-feira que todos sejam extraditados à Turquia e julgados em tribunais turcos. Exigiu tambem o esclarecimento de detalhes sobre o paradeiro do corpo e o encarregado de dar as ordens para executar a operação em Istambul.

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