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Varadkar diz que Londres respeitará compromisso sobre fronteira irlandesa

23/10/2018 12h19

Dublin, 23 out (EFE).- O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, afirmou nesta terça-feira que tem "total confiança" de que o governo de Londres cumprirá com o compromisso adquirido para evitar o restabelecimento de uma fronteira na província britânica da Irlanda do Norte, após a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Varadkar lembrou que sua colega britânica, a conservadora Theresa May, aceitou durante as negociações sobre o "Brexit", a princípio "e por escrito", incluir uma garantia ("backstop" em inglês) para assegurar que a futura fronteira entre as duas Irlandas se mantenha invisível, algo fundamental para suas economias e para o processo de paz.

"Ou seja, temos um 'backstop' que nos dá a segurança de que não haverá uma fronteira dura aconteça o que acontecer, que essa garantia é legalmente funcional e que só será aplicada se não houver um acordo (de saída) ou até que haja um", declarou Varadkar aos veículos de imprensa em Dublin.

O primeiro-ministro destacou que não acredita que o Reino Unido, "um país importante, sério e com uma grande história", queira descumprir os compromissos assumidos.

A questão da fronteira norte-irlandesa se transformou no principal empecilho para que Londres e Bruxelas cheguem a um acordo de separação, que será oficial a partir do próximo dia 29 de março.

A UE quer que a citada garantia mantenha a Irlanda do Norte, ou o conjunto do Reino Unido, dentro da união aduaneira europeia enquanto não é firmado um acordo de livre-comércio entre ambas as partes, o que pode demorar vários anos.

Essa alternativa, ou "plano B", foi rejeitada pelos correligionários eurocéticos de May e pelo norte-irlandês Partido Democrático Unionista (DUP), do qual a primeira-ministra depende para governar em minoria, pois entendem que isolaria a província do resto do país e manteria todo o Reino Unido alinhado indefinidamente com as estruturas econômicas comunitárias.

Para Varadkar, o retorno de uma infraestrutura de fronteira à ilha da Irlanda, com postos de controle policial e alfandegário, poderia provocar um aumento da violência dos grupos paramilitares que ainda estão ativos.

Diante das críticas do DUP, que o tacham de "alarmista", o primeiro-ministro da Irlanda afirmou que suas preocupações são "razoáveis" e que estão avalizadas pelos relatórios das forças de segurança irlandesas e norte-irlandesas, que advertem que os postos de controle na fronteira podem voltar a se transformar em alvos terroristas.

"Acho que, em grande parte, temos paz na nossa ilha graças à União Europeia, porque durante várias décadas a UE, através do alinhamento regulador, eliminou muitas das diferenças entre norte e sul, e criou o contexto para a assinatura do acordo de paz da Sexta-Feira Santa", ressaltou Varadkar, em referência ao texto que deu fim em 1998 a mais de 30 anos de conflito.

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