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Líder rebelde afirma que oposição está comprometida com a paz no Sudão do Sul

31/10/2018 12h55

Juba, 31 out (EFE).- O principal líder rebelde sul-sudanês, Riek Machar, ressaltou nesta quarta-feira que a oposição armada está comprometida com o processo de "restabelecimento da paz", horas depois de retornar ao país após dois anos no exílio.

"Nós estamos com a paz e temos uma forte vontade política para restabelecer a paz no Sudão do Sul", afirmou em discurso Machar, acompanhado do presidente e rival, Salva Kiir, na Praça da Liberdade, em Juba.

"Tive que vir hoje à capital, Juba, para participar da cerimônia de paz para que não pensem alguns que a oposição não deseja a paz", destacou o líder opositor e ex-vice-presidente sul-sudanês.

Machar, que saiu do país em 2016 após o colapso do acordo de paz selado em 2015, indicou que seu movimento concordou no último dia 5 de agosto, em Cartum (Sudão), com a reconciliação com o governo, alegando que o povo "se cansou desta longa guerra".

Durante o discurso, transmitido pela televisão estatal, o opositor pediu ao presidente Kiir "a libertação de todos os presos políticos e prisioneiros de guerra", assim como o levantamento do estado de emergência imposto no país durante os últimos cinco anos.

Por último, lembrou a Kiir que no pacto foi estabelecida a criação de "um exército nacional que não seja controlado por uma só tribo no Sudão do Sul".

Machar chegou hoje ao Sudão acompanhado de uma delegação de representantes opositores que também tomaram parte no acordo em Cartum, entre eles Lam Akol Ajawin, chefe do opositor Movimento Democrático Nacional, para participar de uma cerimônia de celebração do acordo de paz.

Um porta-voz da oposição armada, Manawa Peter Gatkouth, assegurou ontem à Agência Efe que Machar deixará o país hoje mesmo ao término do evento, sem que se conheçam mais detalhes por enquanto.

O conflito do Sudão do Sul explodiu no final de 2013 quando Kiir acusou seu então vice-presidente Machar de orquestrar um golpe de Estado, o que desembocou em confrontos armados entre as forças leais aos dois líderes, pertencentes a duas etnias diferentes.

Machar fugiu do Sudão do Sul no verão de 2016, após a intensificação dos combates, para República Democrática do Congo e depois viajou para a África do Sul, onde esteve sob prisão domiciliar por pressão de vários países da região estes dois últimos anos.

Da África do Sul viajou para o Sudão, país no qual encontrava-se atualmente e onde aconteceram as negociações de paz entre as partes beligerantes entre junho e agosto de 2018, até a assinatura do acordo na capital sudanesa.

O documento foi referendado um mês depois em Adis Abeba com o auspício da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento na África Oriental (IGAD), principal mediadora no conflito.