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Índia tenta recuperar corpo de americano assassinado por tribo em ilha remota

No Instagram, John Chau descrevia a si mesmo como "um sobrevivente de picada de cobra" e "paramédico da natureza selvagem" - Reprodução / Instagram
No Instagram, John Chau descrevia a si mesmo como 'um sobrevivente de picada de cobra' e 'paramédico da natureza selvagem' Imagem: Reprodução / Instagram

Nova Délhi

22/11/2018 13h23

As autoridades da Índia trabalham nesta quinta-feira (22) para recuperar o corpo do turista americano John Allen Chau, assassinado nos últimos dias por uma tribo isolada que vive na ilha de Sentinela do Norte, no arquipélago de Andamão e Nicobar, no Oceano Índico.

O porta-voz da polícia de Andamão, Jatin Narwal, disse à Agência Efe que "ainda não foi possível" retirar o corpo de Chau da ilha de Sentinela do Norte, cujo acesso é proibido para a proteção dos sentineleses, uma das tribos mais isoladas e hostis do mundo, mas acrescentou que "continuam os esforços" para recuperá-lo.

Além disso, a polícia deteve um amigo local da vítima, um especialista em esportes aquáticos e cinco pescadores que ajudaram o turista a chegar na ilha, com o pleno conhecimento de que os sentineleses são muito hostis e não têm contato com o mundo exterior.

"Apesar de conhecer muito bem a ilegalidade da ação e a atitude hostil dos sentineleses em relação aos forasteiros, essa gente colaborou com John Chau para sua visita à ilha de Sentinela do Norte sem permissão das autoridades", informou em comunicado o diretor-geral da polícia do arquipélago, Dependra Pathak.

Os sete foram detidos por violarem a lei para a proteção das tribos nativas e por "causarem a morte de John Allen Chau", segundo a nota.

A vítima, que tinha visitado anteriormente as Ilhas Andamão em várias ocasiões e chegou ao arquipélago no dia 16 de outubro, viajou há uma semana acompanhada dos pescadores para "evitar" as patrulhas na região, pagando cerca US$ 350 para isso.

Na quinta-feira (15) da semana passada, Chau se deslocou até uma praia da ilha em um caiaque.

"Na manhã de 17 de novembro, os pescadores viram uma pessoa morta sendo enterrada na praia que pela silhueta do corpo, vestimenta e circunstâncias parecia ser John Allen Chau", explicou o chefe policial.

Os homens retornaram a Port Blair, capital das Ilhas Andamão, e avisaram ao amigo local de Chau, que, por sua vez, contatou seus familiares nos Estados Unidos.

As autoridades indianas tomaram conhecimento do ocorrido através do consulado americano em Chennai.

Na terça-feira (20), as autoridades fizeram um reconhecimento aéreo da ilha e, no dia seguinte, uma delegação de altos comandantes viajou para a região em uma embarcação para tentar identificar o local onde estaria o corpo. Além disso, um comitê foi formado para revisar os mecanismos para evitar as visitas de estrangeiros a áreas restritas, de acordo com a nota.

Em um comunicado publicado no perfil da vítima no Instagram, sua família "perdoou" os responsáveis pela morte e pediu a libertação dos detidos em Andamão, já que Chau viajou "por vontade própria".

A nota descreve a vítima como um "missionário cristão" que sentia apenas "amor" pelos sentineleses.

As populações nativas das Ilhas Andamão e Nicobar chegam a 28.077 indivíduos, distribuídos entre diversas etnias, segundo dados da Comissão Nacional para as Tribos (NCST, na sigla em inglês) da Índia.