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Irmão do presidente de Honduras é detido nos EUA

23/11/2018 22h45

Tegucigalpa, 23 nov (EFE).- Juan Antonio Hernández, irmão do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, foi detido nesta sexta-feira em Miami por causas desconhecidas, segundo confirmou o governo hondurenho em comunicado.

A nota lembra que em outubro de 2016, "diante de crescentes rumores sobre uma suposta relação direta ou indireta, voluntária ou circunstancial de seu irmão com pessoas ou supostas atividades fora da lei, o presidente deixou claramente estabelecida a sua posição que ninguém está acima da lei". O governante também disse que "toda pessoa deve ter direito à legítima defesa e presunção de inocência".

No dia 17 de março de 2017, quando Juan Antonio Hernández era deputado no Parlamento hondurenho, rejeitou as acusações feitas nos Estados Unidos pelo traficante de drogas Devis Leonel Rivera, que o teria subornado para que o governo agilizasse o pagamento de uma empresa do cartel Los Cachiros.

A denúncia contra Juan Antonio Hernández foi feita por Rivera em um tribunal de Nova York, onde está preso desde 2015, quando se entregou à justiça americana.

"O presidente da República reitera o que disse em 24 de outubro de 2016: 'Durante este governo, quem tiver sido assinalado pela justiça não tem, não teve e nem terá nenhum tipo de concessões ou privilégios, sejam correligionários, meus próprios parentes, funcionários de governo ou cidadãos de outros países'", indica o comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira.

Juan Orlando Hernández expressou que "a postura (do governo) foi clara, é clara e seguirá sendo clara ao lutar contra a corrupção e a criminalidade sem distinções".

O governo ressalta no comunicado o "compromisso de facilitar para que as investigações por parte dos órgãos de segurança e justiça sejam executadas com absoluta abertura e em irrestrito apego à lei, como tem sido feito em todos os casos".

"Além disso, tanto neste como em outros casos, serão respeitados os direitos assistidos a qualquer detido, com o princípio universal de presunção de inocência", conclui o comunicado.

Segundo as autoridades hondurenhas, Rivera, ex-líder do desmantelado cartel Los Cachiros e que confessou ter causado a morte de 78 pessoas em Honduras, se entregou às autoridades nos EUA porque soube que estava a ponto de ser capturado no país natal.

Segundo versões de fontes de Nova York, Rivera declarou que subornou Juan Antonio Hernández, sem detalhar a quantia, entre 2013 e 2015 para que o governo hondurenho agilizasse uma dívida pendente com uma empresa do cartel utilizada para lavar dinheiro. O cartel operou livremente durante vários anos em Honduras sem que nenhuma autoridade o perseguisse.

Em 2017, Rivera também delatou como envolvido em atividades de narcotráfico o ex-presidente hondurenho Porfirio Lobo (2010-2014) e o então assessor de segurança Julián Pacheco - que agora é ministro de Segurança -, dois deputados e um prefeito.