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UA admite casos de assédio sexual a mulheres em Comissão

23/11/2018 14h50

Adis Abeba, 23 nov (EFE).- Uma pesquisa interna revelou a existência de casos de assédio sexual a mulheres dentro da Comissão da União Africana (UA), de acordo com um comunicado divulgado na sede do órgão em Adis Abeba nesta sexta-feira.

Neste documento, a UA divulgou as conclusões de um comitê de alto nível criado em junho para investigar as acusações de assédio contra mulheres publicadas por vários veículos de imprensa do continente.

"A conclusão do comitê é que existem incidentes de assédio sexual na Comissão", afirmou o comunicado, ao explicar que, "segundo os entrevistados, mulheres jovens são exploradas por sexo em troca de empregos".

"As provas apresentadas sugerem que esta forma de assédio foi perpetuada por supervisores sobre as aspirantes ao cargo, especial mas não exclusivamente, durante missões oficiais fora do posto de trabalho", segundo a UA.

De acordo com o comitê, "a categoria de pessoas mais vulneráveis e expostas a esta forma de assédio são pessoas com contratos curtos, jovens voluntárias e estagiárias".

"É importante assinalar que, a partir da evidência apresentada ao comitê, tanto superiores masculinos como femininos assediaram e intimidaram seus subordinados", diz a nota.

"Tendo em vista as conclusões anteriores e as graves acusações, a Comissão resolveu reforçar sua política de tolerância zero com o estabelecimento de uma política sexual integral que proteja as vítimas e adote as medidas de castigo mais duras contra o responsável", acrescentou o comunicado.

O escândalo foi revelado em maio, depois que o jornal sul-africano "Mail & Guardian" revelou que 37 funcionárias da Comissão da UA tinham assinado uma carta na qual denunciavam assédio sexual e discriminação de gênero.

Em 7 de maio, o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, negou ter recebido queixas sobre esses abusos, embora tenha prometido "ir a fundo neste assunto".

"Quero deixar claro que não permitirei que ocorra discriminação a mulheres sob minha responsabilidade (...). A paridade entre sexos é parte vital desta Administração", afirmou Mahamat através de um tuíte publicado por seu porta-voz, Ebba Kalondo.