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Internacional

Derrota governista em Taiwan anuncia melhores laços com a China

24/11/2018 22h12

Taipé, 24 nov (EFE).- A derrota contundente governista nas eleições municipais realizadas neste sábado em Taiwan representou não somente o anúncio de renúncia do primeiro-ministro Lai Ching-te, mas também a ressurreição da oposição, o que prevê melhores relações com a China.

Lai anunciou sua renúncia através do Facebook, que ainda não foi aceita pela presidente do país, Tsai Ing-wen, que por sua vez renunciou como chefe do independentista Partido Democrata Progressista (PDP), para se responsabilizar pela derrota eleitoral.

As eleições, embora fossem para renovar cargos municipais, serviram como um referendo sobre o trabalho de Tsai Ing-wen à frente do país, quando se completam dois anos de sua presidência.

Por isso, a maioria dos observadores políticos da ilha considera o resultado das votações como um castigo para Tsai Ing-wen o que poderia dificultar sua eleição em 2020.

A presidente está vendo seu apoio popular diminuir por causa do descontentamento causado por medidas como as reformas da previdência e do mercado de trabalho, o que se une aos salários relativamente baixos, o alto custo da moradia, os problemas de energia e a instabilidade dos preços agrícolas.

Pequim não reconhece a independência de Taiwan e a considera uma província. O Partido Kuomintang (KMT), na oposição, aceita o caráter chinês da ilha.

O vencedor do pleito local foi o KMT, que vai governar, pelo menos, três das seis maiores cidades (Novo Taipé, Kaohsiung e Taichung) e se manteve a pouca distância do independente Ko Wen-je, segundo resultados preliminares da Comissão Central Eleitoral.

O KMT venceu claramente em 12 das cidades e distritos, em uma verdadeira "onda azul", chamada assim por causa da cor da sua bandeira, graças à imagem de candidatos como Han Kuo-yu, o novo prefeito de Kaohsiung, afastado do molde de político tradicional.

O governante e independentista PDP, que controlava 22 das cidades e condados, e quatro dos grandes municípios especiais, acabou com apenas quatro cidades e condados e dois dos municípios especiais (Taoyuan, Tainan), os menores.

Esta mudança de rumo, embora seja em uma eleição local, para posturas mais próximas à China não representa de imediato uma mudança rápida ou radical do gigante asiático em relação ao território, mas uma leve flexibilização e o aumento dos intercâmbios civis, culturais, turísticos e inclusive comerciais.

"A política da China em relação a Taiwan olha para o Governo central, por isso que não é de esperar uma mudança radical, mas Pequim pode ser que veja na clara vitória do KMT um sinal de que o atual governo não tem apoio popular e pode esperar um presidente do KMT em 2020", disse à Efe o vice-reitor e decano de Relações Internacionais da Universidade Tamkang, Wang Kao-cheng.

A maioria dos taiuaneses se opõe a uma incorporação à China e o presidente da China, Xi Jinping, mantém uma postura dura em suas relações com o território, por isso não é de se esperar uma mudança imediata, afirmou a professora Chen Li-jiun, do Instituto de Estudos Europeus de Tamkang.

Outros analistas advertem que não devem ser tiradas muitas conclusões dos resultados, porque os eleitores taiuaneses costumam castigar seus dirigentes mais por não lidar bem temas locais e pragmáticos do que pela macropolítica.

"A situação econômica não é ideal, sobretudo para os jovens que não encontram os empregos que desejam, tem salários baixos e o preço das casas estão nas nuvens", especificou a analista Teresa Kao, da emissora de rádio "Hit FM".

Alguns jovens da chamada geração de "independentistas naturais", que cresceram em uma Taiwan separada da China e com governos a favor de manter esta situação, consideram que essa deve ser a realidade, mas também não querem irritar seu vizinho.

"Claramente Taiwan não é a China, mas ao votar levo em conta que vai me ajudar a ter uma melhor situação e não quero desencadear punições econômicas da China que me reduzam as possibilidades de trabalho", reconheceu à Efe um universitário.

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