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Nova rodada de consultas sobre conflito da Síria termina sem avanços

29/11/2018 18h05

Astana, 29 nov (EFE).- A 11ª rodada de consultas sobre a Síria em Astana, capital do Cazaquistão, terminou nesta quinta-feira sem avanços tangíveis após dois dias de negociações com a participação de representantes da oposição e do governo do país, assim como delegações de Rússia, Turquia e Irã, que atuam como mediadores.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, lamentou que a reunião não tenha produzido progressos na composição de uma comissão para elaborar uma nova Constituição para a Síria, um processo que está em ponto morto há quase dez meses.

"Infelizmente para o povo sírio, perdeu-se uma oportunidade para acelerar a criação de uma comissão constitucional crível, equilibrada, inclusiva, dirigida pelos próprios sírios e facilitada pela ONU", afirmou De Mistura em comunicado.

No entanto, o enviado especial ressaltou o compromisso manifestado por Rússia, Irã e Turquia de promover a criação da comissão, que deve estabelecer as bases do futuro sistema político da Síria. De Mistura disse esperar os empecilhos no caminho deste processo até o fim do ano, quando deixará o cargo.

Os países mediadores do cessar-fogo na Síria anunciaram nesta quinta-feira que intensificarão as consultas para concluir o mais rápido possível a criação da comissão constitucional.

O representante da Rússia nas consultas, Aleksandr Lavrentiev, disse em entrevista coletiva que o trabalho de formar a parte correspondente à sociedade civil na comissão está próximo de terminar. E, apesar das declarações de De Mistura, considerou como positivos os resultados do encontro em Astana.

O chefe da delegação da oposição armada ao governo da Síria, Ahma Toma, confirmou a jornalistas a discussão de um acordo com o regime de Bashar al Assad para realizar uma troca de prisioneiros.

Por outro, o representante permanente da Síria na ONU, Bashar Jaafari, aproveitou para exigir que a Turquia tire as tropas do país. Além disso, o diplomata acusou o governo turco de estar por trás de um ataque químico registrado em Aleppo na última semana.

"A Turquia deve retirar suas tropas, mas se não entender isso pela via diplomática, recorreremos a outros métodos", disse o representante de Al Assad no encontro depois da reunião.

"Os grupos terroristas não teriam usado armas químicas sem sinal verde daqueles que os controlam", afirmou o diplomata, revelando que a Síria sabe quem forneceu esse tipo de armamento aos rebeldes. "Certamente se trata da Turquia", frisou.

Jaafari também pediu que as forças de outros países presentes no norte e no leste da Síria também sejam retiradas, citando especialmente militares dos Estados Unidos e da França.

O representante do governo sírio criticou a Turquia por desrespeitar os compromissos assumidos em Sochi, na Rússia, em julho, quando ficou acertada a criação de uma área desmilitarizada na região de Idlib. Segundo ele, em vez de enviar policiais para lá, os turcos levaram 11 mil militares para o local, com armamento pesado e helicópteros.

Segundo o Ministério de Relações Exteriores do Cazaquistão, a 12ª rodada de consultas sobre a Síria será realizada em fevereiro do próximo ano.