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Voluntários fazem carinho em animais que vão para o abate na Bolívia

Martin Alipaz/EFE
Os ativistas do Save Movement em frente ao matadouro municipal de La Paz. No cartaz, os dizeres: os vemos, os ouvimos, os sentimos Imagem: Martin Alipaz/EFE

Yolanda Salazar

La Paz, Bolívia

30/11/2018 10h08


Um grupo de ativistas se reúne na porta de matadouros na Bolívia para dar a vacas e bois um carinho especial nos últimos minutos que lhes restam antes de entrarem no matadouro, o destino fatal.

Apenas com um olhar, um gesto ou um abraço no caminhão, os integrantes do Save Movement tentam passar um pouco de tranquilidade e afeto para esses seres que minutos depois enfrentarão a morte.

"É o único gesto de amor que vão receber na vida, porque são vistos como produto e não um ser que sente", disse à Agência Efe Nevenka Potocnik, uma das ativistas que chegou da Argentina para realizar uma série de vigílias em matadouros da Bolívia.

O Save Movement é uma rede internacional, que nasceu em Toronto, no Canadá, está em 60 países, incluindo o Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte) e na qual os membros realizam vigílias em matadouros de diferentes lugares para dar amor e testemunhar o sofrimento desses animais.

O grupo defende o veganismo e ainda promove o ativismo pacífico, baseado no amor e no respeito a todos os seres vivos.

"A única diferença entre um cachorro e uma vaca é a nossa percepção. Por que amamos uns e comemos outros?", questionou  Nevenka.

Nessa ação, os ativistas se reuniram na porta do matadouro municipal de La Paz à espera dos caminhões para conversar com o motorista e pedir alguns minutos de aproximação para se despedir dos bichos.

"A aproximação é totalmente pacífica. Falamos com o caminhoneiro para que ele nos dê dois minutos e contamos que queremos ver e nos despedir dos animais", contou à Efe Maureen  Lómez, organizadora do movimento na Argentina.

Martin Alipaz/EFE
Animais enfileirados em um caminhão enquanto levados em direção ao abate Imagem: Martin Alipaz/EFE


Em muitos casos os caminhões carregam vacas, bois ou bezerros, que se aproximam das madeiras quando algum ativista chega cautelosamente, enquanto outros só trocam olhares antes de o motorista arrancar.

"Somos testemunhas. Vemos, ouvimos e sentimos", diz o cartaz que eles carregam com as silhuetas de animais. Eles também vão a matadouros de porcos e frangos para distribuir água.

"Estamos aqui para contar as suas histórias e para que não sejam invisíveis diante da sociedade como provavelmente seriam se não estivéssemos aqui", ressaltou Maureen.

O grupo também faz fotos e vídeos das intervenções para publicar na internet, com a intenção de que mais pessoas adiram à causa e que se aproximem desta realidade.

Com o trabalho, o Save  Movement já conseguiu salvar pelo menos dez animais na Argentina, na Espanha e na Costa Rica, que foram encaminhados para uma espécie de santuário natural para viver em liberdade e sem risco de voltarem ao matadouro.

Camila Ruiz, uma boliviana que participava do movimento, disse à Efe que adotou essa causa porque muitos animais são assassinados inutilmente diariamente e que é fundamental ter consciência a respeito.

"É preciso se importar, ser empático com o sofrimento e entender que eles não deveriam estar ali. Eles também querem viver", comentou.

Após as vigílias em matadouros de Cochabamba, Santa Cruz de la Sierra e La Paz, a previsão do grupo é seguir em direção ao Peru.