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Burundi pede detenção internacional de ex-presidente por suposto magnicídio

01/12/2018 06h00

Bujumbura, 1 dez (EFE).- O Ministério da Justiça do Burundi emitiu uma ordem de detenção internacional contra o ex-presidente Pierre Buyoya e outras 17 pessoas por seu possível envolvimento no assassinato em 1993 do primeiro líder democraticamente eleito, Melchior Ndadaye, que desencadeou uma sanguinária guerra civil.

A procuradoria do país prendeu no último dia 24 de novembro quatro pessoas por supostamente organizar e cometer o assassinato, mas considerou que há outras mais que "poderiam estar implicadas no crime, na sua preparação e inclusive durante a comissão", segundo um comunicado do Ministério da Justiça divulgado no final da noite de sexta-feira.

"O Ministério Público estima que é imprescindível que sejam interrogadas sobre o papel que tiveram nestes eventos trágicos", afirma a nota, na qual pede que os países onde vivem lhes detenham e extraditem ao Burundi.

Buyoya, comandante de etnia tutsi, foi presidente do pequeno país da África Oriental em duas ocasiões, de 1987 a 1993 e de 1998 a 2003, e em ambas chegou ao poder por meio de golpes de Estado.

Seu primeiro governo, uma junta formada majoritariamente por tutsis (etnia que representa cerca de 15% da população), provocou um levante hutu (maioria de 85% da população) em 1988 que acarretou uma repressão do exército que se saldou com mais de 20.000 mortes.

Após as eleições de 1993, foi sucedido no poder pelo hutu Melchior Ndadaye, que é considerado o primeiro presidente democraticamente eleito do país, que quis nomear um governo com presença hutu e tutsi.

As comunidades tutsis rejeitaram a autoridade de Ndadaye e se levantaram contra o poder, em incidentes que acabaram com a vida de Ndadaye e desencadearam uma sanguinária guerra civil, que durou 12 anos, na qual cerca de 300.000 pessoas morreram e dezenas de milhares pessoas fugiram do país.