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Sem EUA, G20 apoia Acordo de Paris e diz que mudança climática é irreversível

01/12/2018 21h34

Buenos Aires, 1 dez (EFE).- Com exceção dos Estados Unidos, os membros do G20 afirmaram neste sábado, em Buenos Aires, que o Acordo de Paris contra a Mudança Climática é irreversível e se comprometeram a aplicá-lo em seus países.

Na declaração final da cúpula, intitulada "Construindo Consenso para um Desenvolvimento Justo e Sustentável", os países signatários do Acordo de Paris defenderam sua aplicação, conforme as respectivas capacidades dos governos e diferentes circunstâncias nacionais.

Além disso, o G20 se comprometeu a continuar discutindo a mudança climática e a promover o desenvolvimento sustentável.

O texto deixa claro que os Estados Unidos "reiteram a decisão de se retirar do Acordo de Paris", uma medida tomada pelo presidente do país, Donald Trump, pouco depois de chegar o poder. No documento, os americanos "reafirmam o forte compromisso com o crescimento econômico e o acesso à segurança energética, utilizando todas as fontes de energia e tecnologias, o que, por sua vez, protege o meio ambiente".

Também destaca a importância da parceria entre os setores público e privado para fortalecer a gestão de riscos, facilitar a adaptação a um ambiente em transformação, proteger a biodiversidade e proporcionar respostas efetivas para reduzir os impactos do clima extremo na agricultura.

Também promete que serão feitos maiores esforços para colaborar com o setor privado, a comunidade científica e todas as demais partes interessadas relevantes para melhorar o valor agregado, a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, se pretende a atualização em cadeias de valor agro-alimentar global e a promoção de iniciativas para reduzir a perda e o desperdício de alimentos.

O papel "crucial" da energia para ajudar a dar forma a um futuro partilhado também foi incluído na declaração, na qual são incentivadas transições energéticas que combinem o crescimento com a diminuição das emissões de gases do efeito estufa para produtos mais limpos e sistemas mais flexíveis e transparentes, tudo isso coordenado com cooperação em eficiência energética.

Os líderes reconhecem as oportunidades para a inovação, o crescimento e a criação de emprego através de um maior investimento em produtos mais limpos e fontes de energia sustentável, incluindo as energias renováveis, tecnologias e infraestruturas.

Igualmente se aceita o papel de todas as fontes de energia e tecnologias na combinação de energia e as diferentes rotas nacionais possíveis para conseguir sistemas de energia mais limpa sob o termo "transições".

Para isso se promove a segurança energética, a sustentabilidade, a resiliência, a eficiência e a estabilidade, ao mesmo tempo que se destaca a existência de fontes de energia variada e avanços tecnológicos para se conseguir um futuro baixo em emissões.

O texto da declaração, de seis páginas e 31 pontos, oferece uma visão dos principais temas de interesse das 20 economias desenvolvidas e em desenvolvimento mais importantes do mundo, embora na maioria dos casos sem entrar a fundo nos problemas.

Nos seus 31 pontos se busca o consenso em aspectos como mudança climática, comércio multilateral, igualdade de gênero, trabalho justo e desenvolvimento sustentado.