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Erdogan pede à Arábia Saudita que entregue suspeitos do caso Khashoggi

02/12/2018 01h47

Buenos Aires, 1 dez (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu neste sábado que a Arábia Saudita lhe entregue os suspeitos do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrido no dia 2 de outubro no consulado saudita de Istambul.

"Como o crime aconteceu na Turquia nós acreditamos que os criminosos têm que voltar para a Turquia. Fizemos uma solicitação oficial, mas os sauditas não os devolveram, declinaram de nossa solicitação", disse Erdogan durante entrevista coletiva realizada em Buenos Aires, ao final da Cúpula do G20.

A Promotoria saudita acusou 11 pessoas por seu envolvimento no assassinato, cinco dos quais enfrentam uma possível pena de morte, enquanto Erdogan pede que sejam julgados onde se cometeu o crime.

Além disso, o presidente turco lamentou que durante o fórum de chefes de Estado e de Governo, o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, desvinculasse a Arábia Saudita do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi com uma "explicação incrível".

(Bin Salman) "disse que até que se prove não se pode culpar a Arábia Saudita", detalhou o presidente turco sobre a resposta que o príncipe deu em relação ao pedido do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, durante o fórum internacional de Buenos Aires.

Erdogan reconheceu que, embora isto possa ser válido de um ponto de vista legal, tantas as evidências como fontes sauditas não oficiais admitiram que esta foi uma "operação planejada".

"Temos evidências provando que Khashoggi foi assassinado em sete minutos e meio e nós compartilhamos estas evidências com o mundo todo", acrescentou o presidente turco, que também lamentou que este não foi um tema principal na cúpula do G20 apesar da repercussão internacional que o caso teve e de ter mostrado as provas a vários líderes.

Embora o governante turco nunca tenha apontado diretamente o príncipe saudita, reiterou em várias ocasiões que a ordem veio das "mais altas esferas".

"Não desejamos causar nenhum prejuízo à família saudita, queremos nos assegurar que o assassinato se resolva. Acreditamos que isto também será de interesse da família saudita", argumentou Erdogan.