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Islândia, um oásis feminista em um mundo patriarcal

02/12/2018 06h31

Lara Malvesi.

Reykjavik, 2 dez (EFE).- A Islândia, que há nove anos lidera o ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, mostrou nesta semana para mulheres líderes de várias nacionalidades como o país conseguiu se tornar um oásis do feminismo em um mundo ainda dominado pelos homens.

Durante o Fórum Global de Mulheres Líderes, realizado em Reykjavik, a primeira-ministra, Katrin Jakobsdottir, e representantes políticas e civis do país explicaram o pequeno milagre islandês da igualdade de gênero.

Tudo começou nos anos 70, com as primeiras manifestações feministas. Em 1975, ocorreu a primeira grande manifestação, e 90% das islandesas aderiram à greve por igualdade de direitos em casa e no trabalho.

Pouco depois, cansadas das reivindicações sem ver resultado, criaram o chamado Conselho de Mulheres que tinha como objetivo conseguir maior representatividade. Entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, o parlamento passou a ter 30% de deputadas na composição.

Uma das participantes desse conselho foi a ativista e ex-deputada Kristín Einarsdóttir. Para ela, a melhor dica que pode ser dada é que as mulheres devem "estar juntas e sempre apoiar umas às outras no objetivo comum de fazer frente a um mundo machista".

"No início de tudo, antes de ser deputada, nos reunimos no conselho cansadas de esperar e decidimos que já bastava de pedir que outros fizessem o que nós queríamos. Por que não fazermos nós mesmas: assumir o poder", afirmou.

Com esse contexto, não foi estranho que em 1980 a Islândia elegesse democraticamente, pela primeira vez no mundo, uma mulher para a presidência do país. Vigdís Finnbogadottir, mãe solteira, se manteve no cargo por 16 anos.

Também não é estranho que Katrin Jakobsdottir seja a segunda primeira-ministra desta década no país, depois Jóhanna Siguroardóttir, que ocupou esse cargo de 2009 a 2013, sendo a primeira chefe de governo do mundo assumidamente homossexual, casada e com dois filhos.

Perguntada sobre quais elementos podem ter tornado possível a Islândia ter índices de igualdade de gênero que são apenas sonho para outros países, Kristin Einarsdóttir disse que acredita ser "mais fácil" conseguir certos objetivos em um país de pouco mais de 350 mil habitantes.

Além disso, a influência da herança social também contribuiu, pois durante séculos as mulheres da Islândia tiveram que arcar com o sustento da casa e trabalhar em comunidade com outras famílias, pois os homens passavam muitos dias fora pescando.

"Com certeza uma explicação para as nossas conquistas é essa tradição de mulheres economicamente independentes, muito mais do que outras de outros países que tiveram que ser dependente dos recursos dos maridos", explicou à Efe.

Duas medidas políticas importantes dos últimos anos são a lei que obriga às empresas a explicarem ao governo o motivo pelo qual as funcionárias ganham menos do que os funcionários - uma medida que reduziu a diferença salarial para 5% (na União Europeia ela é de mais de 16% em média) - e a licença paternidade obrigatória e não transferível para às mães.

Pelo segundo ano consecutivo, a Islândia foi sede do Fórum Global com o objetivo de reunir mulheres que ocupam postos de responsabilidade nos âmbitos público e privado para trocar opiniões sobre como avançar na igualdade e na representatividade.

Na última edição do Prêmio Lux de Cinema do Parlamento Europeu o filme vencedor foi "Uma Mulher em Guerra", a história de uma islandesa que sozinha consegue sabotar multinacionais do alumínio que destroem o meio ambiente.

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