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Lagarde diz no G20 que é "urgente" suavizar as tensões comerciais

02/12/2018 00h26

Buenos Aires, 1 dez (EFE).- A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse na reunião do G20 em Buenos Aires que há uma "necessidade urgente" de "suavizar as tensões comerciais" e dar marcha à ré nos aumentos de tarifas, já que se não, ate 2020 o PIB mundial vai sentir o impacto.

Lagarde participou, entre quinta-feira e hoje, da Cúpula de líderes do fórum econômico, que foi marcada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China.

"O crescimento mundial continua sendo vigoroso, mas está se moderando e se tornando mais desigual. As pressões sobre os mercados emergentes aumentaram e as tensões comerciais começaram a ter repercussões negativas, o que aumenta os riscos em baixa", explicou a diretora do FMI.

Sobre o comércio, Lagarde afirmou que as estimativas são que, "se permanecer vigentes as tarifas recentemente elevadas e as que se ameaçou introduzir e implementar as tarifas anunciadas, até 2020 o PIB mundial poderia perder aproximadamente três quartos de um ponto percentual".

"Se, ao contrário, as restrições do comércio de serviços caírem 15%, o PIB mundial poderia aumentar meio ponto percentual", disse.

Lagarde também considerou urgente ajustar o nível "excessivo de dívida mundial", que avaliou em cerca de US$ 182 trilhões.

Para abordar os desafios que a economia enfrenta, a diretora do FMI recomendou ao G20, composto pelas 20 maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do mundo, "reparar o comércio", para promover o crescimento e o emprego.

"Em segundo lugar, continuar normalizando a política monetária de uma maneira bem comunicada, gradual e guiada pelos dados, e prestando a devida atenção aos possíveis efeitos de contágio", acrescentou Lagarde.

Também abordar os riscos financeiros, recorrer à flexibilidade cambial para diminuir as pressões externas - "evitando as tarifas e outras políticas que poderiam debilitar a confiança do mercado" - e "eliminar os obstáculos jurídicos que impeçam a participação da mulher na economia".

Após o término da cúpula, a diretora do FMI, teve uma reunião com o presidente argentino, Mauricio Macri, a quem parabenizou pela eficaz "liderança" do G20 em 2018.