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Macron pede que premiê ouça "coletes amarelos" e oposição para resolver crise

Thibault Camus/Reuters
Macron visita local dos protestos: 682 presos e 263 feridos, sendo cinco em estado grave Imagem: Thibault Camus/Reuters

Da EFE, em Paris

02/12/2018 16h21

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu neste domingo (2) ao primeiro-ministro do país, Édouard Philippe, que se reúna com a oposição e com lideranças do movimento conhecido como "coletes amarelos" para buscar uma saída para a crise deflagrada pelos protestos contra a alta dos combustíveis. Nos protestos de ontem, 682 pessoas foram presas em todo o país e 263 ficaram feridas, cinco delas em estado grave.

Após retornar da cúpula do G20, em Buenos Aires, Macron visitou hoje a região mais afetada pelos confrontos entre manifestantes e policiais nos protestos de ontem, o Arco do Triunfo, para verificar de perto os danos provocados ao monumento histórico de Paris.

Mais tarde, Macron se reuniu no Palácio do Eliseu com o gabinete de crise instalado para lidar com a situação. O grupo é formado, entre outros, pelos ministros de Interior, Chistophe Castaner, de Justiça, Nicole Belloubet, e de Ecologia, François de Rugy.

O presidente não falou com a imprensa depois do encontro. A única declaração de Macron sobre a violência registrada ontem foi dada ainda em Buenos Aires, após a cúpula do G20. "Sempre respeitarei as discordâncias, sempre ouvirei a oposição, mas jamais aceitarei a violência", disse o presidente ontem.

Fontes do governo disseram à Agência Efe que Macron pediu a Philippe para se reunir com os chefes dos partidos com representação parlamentar e com líderes dos manifestantes. E pediu uma "reflexão" sobre o esquema de segurança de ontem para atos similares no futuro.

O primeiro-ministro, no entanto, pode ter que lidar com uma situação quase parecida com a da semana passada, quando convidou uma delegação de "coletes amarelos" para conversar. Só dois membros do grupo compareceram ao evento. Um deles quis permanecer anônimo. O outro foi embora minutos depois de chegar para a reunião após a recusa de Phillipe em gravar o encontro.

Antes de atender ao chamado do primeiro-ministro, o homem que se apresentou como liderança dos "coletes amarelos" disse ter recebido ameaças e pressões do movimento para que não fosse ao encontro.

Com uma organização dispersa e completamente heterogêneo - a única coisa que une o movimento é usar o colete requerido como item de segurança viária -, o diálogo de Phillipe será complicado.

Ontem, no terceiro sábado de mobilização contra a nova alta dos impostos sobre combustíveis e o custo de vida na França, 682 pessoas foram presas em todo o país (412 em Paris). Além disso, 263 ficaram feridas, cinco delas em estado grave. Do total, 81 eram policiais.

Depredação

Os confrontos com as forças de segurança e as imagens de depredação de estabelecimentos públicos e privados se reproduziram ontem em Paris, Marselha e Bordeaux. E, apesar da reação do governo, os manifestantes já convocam o próximo ato.

No Facebook, os líderes informais do movimento divulgaram o novo protesto: sábado que vem, em frente ao Palácio do Eliseu.

Mas a infiltração de vândalos e a dificuldade de diferenciá-los dos demais ameaçam demonizar o movimento dos "coletes amarelos". Antes dos tumultos de ontem, o grupo era apoiado pela maioria dos franceses, segundo pesquisas realizadas no país.

Mesmo com a pressão das ruas, o governo não parece disposto a voltar atrás no aumento dos impostos sobre os combustíveis.

A presidente da Frente Nacional, principal partido de extrema direita do país, Marine Le Pen, e Jean-Luc Mélencho, que comanda o França Insubmissa, da extrema esquerda, pediram neste domingo a dissolução do parlamento e a adoção de um sistema proporcional.

Os dois e o líder do partido Os Republicanos, Laurent Wauquiez, exigiram que o governo desista do reajuste sobre os combustíveis. Já o Partido Socialista, do ex-presidente François Hollande, convocou uma reunião para amanhã para debater a crise nacional.

A ministra da Justiça, Nicole Belloubet, descartou hoje a hipótese de decretar estado de emergência para controlar a situação, uma sugestão que foi feita por um sindicado de policiais e não descartada ontem pelo titular do Ministério do Interior.

Castaner terá que se explicar na terça-feira, no Senado, sobre o esquema de segurança montado para o protesto em Paris, considerado por muitos como antiquado, insuficiente e equivocado.