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Manifestantes invadem sede do conselho presidencial apoiado pela ONU na Líbia

02/12/2018 19h44

Trípoli, 2 dez (EFE).- Centenas de manifestantes invadiram neste domingo a sede do Conselho Presidencial da Líbia apoiado pela ONU em Trípoli para exigir atendimento médico para os feridos no conflito e também o pagamento de salários atrasados.

Vários dos manifestantes conseguiram romper o cordão de segurança e entrar no imóvel, causando danos na estrutura do prédio.

Parte deles, segundo pessoas ouvidas pela Agência Efe, não recebem pagamentos desde 2014, ano no qual explodiu a guerra civil que dividiu o país em dois. Outros eram veteranos da Fajr Libya, uma das milícias que apoiou o governo pró-islamita que perdeu as eleições de 2014 e que, com a decisão de não reconhecer o resultado do pleito, contribuiu para alimentar o conflito.

Também participaram dos protestos os familiares dos mortos no conflito, que se queixam que não recebem o subsídio de quase 1.000 dinares (cerca de R$ 800) por mês do governo apoiado pela ONU.

Imagens divulgadas pela imprensa local mostram que alguns dos manifestantes foram recebidos por Ahmad Maitig, um dos vice-presidentes do Conselho Presidencial, órgão consultivo criado após o fracassado plano de reconciliação de dezembro de 2015.

O protesto, que acabou de forma pacífica, coincidiu com uma viagem do presidente do Conselho Presidencial e chefe do governo apoiado pela ONU, Fayez al Serraj, à Jordânia para buscar apoio econômico para o país.

A Líbia vive um conflito civil desde 2011, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contribuiu militarmente com a ação de diferentes grupos rebeldes para derrubar Muammar Gadafi.

Atualmente, o país tem dois governos, o tutelado pela ONU, que só domina Trípoli, e outro, na cidade de Tobruk, sob o comando do general Khalifa Hafter, que controla 60% do território nacional. Nenhum dos dois, porém, tem legitimidade democrática.