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Putin diz que Poroshenko decretou exceção para limitar direitos na Ucrânia

02/12/2018 02h55

Buenos Aires, 1 dez (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou neste sábado em Buenos Aires que seu colega da Ucrânia, Petro Poroshenko, impôs o estado de exceção para "limitar as liberdades civis" e os direitos dos seus cidadãos, após as detenções de marinheiros ucranianos pela Guarda-Costeira russa.

Na entrevista coletiva que concedeu ao final da Cúpula do G20 na Argentina, Putin disse que Poroshenko impôs o estado de exceção em dez regiões nas quais "o povo não apoia suas políticas", por isso que, segundo o líder, divide a Ucrânia em duas partes: "a leal e a desleal".

O dirigente russo destacou que o incidente com três navios da Marinha ucraniana na entrada do estreito de Kerch - em região de disputa de soberania entre Rússia e Ucrânia - se tratou de uma "provocação" de Kiev, e considerou que Poroshenko não está interessado em "resolver esta situação de maneira pacífica".

As tensões que existiam entre Rússia e Ucrânia aumentaram esta semana depois que a Guarda-Costeira russa capturaram no Mar Negro três navios da Marinha ucraniana, na entrada do estreito de Kerch. Ucrânia defende que os navios estavam em águas internacionais.

O Governo de Poroshenko considera que a Rússia bloqueou de fato o o mar de Azov - compartilhados entre os dois países - desde que redobrou as inspeções de embarcações no estreito de Kerch, após a inauguração em maio passado da ponte da Crimeia, que une a península (ucraniana entre 1954 e 2014, quando foi anexada pela Rússia) com o território russo continental.

Após a negativa de Putin de libertar aos 24 tripulantes detidos, Poroshenko decretou estado de exceção e pediu à Otan que intermedeie no conflito

No entanto, Putin disse que o Kremlin não considera "uma troca" e respondeu que sua contrapartida "não foi dada".

Por enquanto, lembrou que há uma investigação em andamento e que a Rússia precisa "estabelecer que de fato foi uma provocação do Governo ucraniano".

"Temos que pôr todas estas coisas no papel, tem que ser legal", acrescentou o líder russo, que se confessou "decepcionado" pela piora das relações com a Ucrânia e, embora não tenha descartado voltar a falar com Poroshenko, afirmou que, enquanto ele estiver no poder, "a guerra continuará".

"Por que? Porque quando você tem hostilidade, provocações como o que acaba de acontecer no mar Negro, é sempre mais fácil para as autoridades continuarem roubando sua gente e seu país", insistiu Putin, declarando que o governo ucraniano utiliza guerra e agressões externas para justificar seus fracassos em economia e política social".

Ao ser perguntado sobre suas conversas relativas ao conflito do mar Negro com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, Putin afirmou que não sabe se foi capaz de "convencê-los" que foi uma provocação da parte ucraniana, mas que lhes explicou seu ponto de vista.