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Ativista processa empresa israelense por software usado contra Khashoggi

03/12/2018 14h26

Jerusalém, 3 dez (EFE).- Um ativista saudita apresentou um processo em Israel contra a companhia NSO, que é acusada de desenvolver o software utilizado para 'hackear' seu telefone e rastrear suas conversas com o jornalista Jamal Khashoggi, informou nesta segunda-feira o jornal israelense "Haaretz".

No mês passado, a publicação revelou que a empresa israelense vendia essa tecnologia a regimes opressivos, que, por sua vez, podem utilizá-la para rastrear dissidentes.

O ativista saudita Omar Abdulaziz, que vive em Montreal (Canadá), alega que, com essas vendas, a empresa viola a lei, já que sabe que esse software pode ser usado para praticar violações aos direitos humanos.

"A NSO deveria ser responsabilizada para proteger as vidas de dissidentes políticos, jornalistas e ativistas dos direitos humanos", afirmou o advogado Alaa Mahajna, que representa Abdulaziz em Jerusalém.

Abdulaziz disse durante uma entrevista à emissora "CNN" que a invasão cibernética de seu telefone "teve um grande papel no que aconteceu com Jamal", algo do qual ele lamenta muito.

"A culpa está me matando", disse o ativista ao canal americano durante a entrevista na qual comentou sobre as cerca de 400 mensagens que trocou com Khashoggi um ano antes de ele ser assassinado e nas quais o jornalista descreveu o príncipe herdeiro saudita como um "animal" e "pac-man", por devorar todos em seu caminho.

O ativista falou sobre suas conversas com Khashoggi depois que pesquisadores da Universidade de Toronto descobriram que seu telefone tinha sido 'hackeado' com um software-espião de nível militar, que teria sido criado pela empresa israelense e utilizado pelo governo saudita.

A NSO, por sua vez, garante que as acusações "não têm fundamento" e argumenta que o processo "não prova que a tecnologia da companhia foi utilizada e que, além disso, contém detalhes que não têm base na realidade".

"A NSO é uma companhia de tecnologia que não está envolvida na utilização de seus produtos uma vez que eles são vendidos aos clientes. Este é um processo baseado no jornalismo sensacionalista, que não está ligado à realidade, para criar manchetes", segundo o "Haaretz".