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OMS alerta para risco de expansão do ebola da RDC a países vizinhos

03/12/2018 17h29

Genebra, 3 dez (EFE).- O atual surto de ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC), com 440 casos e 255 mortos, é difícil de controlar e existe risco de expansão a regiões e países vizinhos, advertiu nesta segunda-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Este surto é mais complicado (do que o surgido no primeiro semestre de 2018) porque é uma área mais instável, com muitos conflitos ativos e mais de 60 grupos armados, além de ser uma região de alta densidade populacional", destacou o médico etíope em entrevista coletiva realizada na sede da OMS em Genebra.

Apesar de o surto ter sido limitado na região do Kivu do Norte, o risco de contágio em áreas próximas "ainda é muito alto, por isso estamos preparando países vizinhos como Uganda e Ruanda" com campanhas de vacinação, acrescentou o especialista.

Segundo Tedros, já foram aplicadas cerca de 4 mil vacinas nesses dois países, o que representa o primeiro programa de inoculações contra o ebola em países não afetados pelo vírus.

Um primeiro surto da mortal doença foi declarado no oeste da RDC em maio deste ano, sendo controlado em julho, um mês antes de ser declarado outro no leste do país, que ainda continua.

O diretor-geral da OMS confirmou que o atual é o segundo pior surto da doença virótica, depois do que a África Ocidental sofreu em 2014, mas ressaltou que o número de casos atuais é muito menor que o de há quatro anos (com cerca de 30 mil afetados e 11 mil mortos).

"Conseguimos limitar o atual em âmbito geográfico e o número de casos utilizando 'velhas armas' e métodos básicos de prevenção, como as vacinações", destacou.

"O risco de expansão ainda existe, mas ao mesmo tempo há um compromisso da comunidade internacional, das organizações não-governamentais e do nosso próprio pessoal. Com esta liderança, acredito que poderemos conter este surto", concluiu Tedros.