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Suíça não quer que embarcação humanitária navegue com bandeira do país

03/12/2018 12h03

Genebra, 3 dez (EFE).- O governo da Suíça rejeitou nesta segunda-feira que o navio humanitário Aquarius, imobilizado há dois meses por carecer de bandeira, navegue com o pavilhão do país, algo que vários partidos tinham solicitado em outubro em uma moção parlamentar, informou a agência de notícias "Ats".

O governo suíço considera que conceder sua bandeira à embarcação comprometeria os esforços coordenados das autoridades do país e da União Europeia (UE) para enfrentar a crise migratória no Mediterrâneo, segundo a resposta formal dada às interpelações do Partido Socialista, dos Verdes e do conservador Partido Liberal Radical.

O governo também rejeitou aplicar a cláusula de exceção à lei de navegação marítima e estimou "impossível" estabelecer uma estratégia geral para que a frota suíça - formada por dezenas de navios mercantes, apesar de o país não contar com litoral - participe das operações de salvamento no Mar Mediterrâneo.

A embarcação Aquarius, operada pelas ONGs SOS Méditerranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF), resgatou nos últimos dois anos mais de 30 mil imigrantes e refugiados que tentavam chegar ao território europeu.

Até o fim de setembro, a embarcação navegou com bandeira do Panamá, mas o governo do país centro-americano ordenou a retirada de seu pavilhão argumentando que o navio tinha transgredido as leis internacionais de navegação.

Várias organizações não governamentais denunciaram pressões políticas para impedir as atividades humanitárias do navio, que atualmente está atracado em Marselha (França) e imobilizado temporariamente por carecer de bandeira.

Teoricamente o navio - que também em setembro mudou oficialmente o seu nome para "Aquarius 2"- leva agora a bandeira da Alemanha, o mesmo país onde ele foi lançado ao mar em 1976, mas existem problemas legais para que navegue com ela com fins humanitários.