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China pede a EUA e Canadá explicações sobre detenção de executiva da Huawei

06/12/2018 13h26

Pequim, 6 dez (EFE).- A China criticou nesta quinta-feira o fato de os Estados Unidos e o Canadá ainda não terem dado explicações sobre a detenção da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em Vancouver para ser extraditada aos Estados Unidos por suposta violação das sanções impostas pelo governo americano ao Irã.

"A China apresentou uma queixa formal ao Canadá e aos Estados Unidos pedindo que expliquem imediatamente a razão da detenção e libertem a pessoa detida. Pelo que sei, o Canadá e Estados Unidos não deram explicações sobre a razão da detenção", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, em entrevista coletiva em Pequim, ressaltando que esta ação viola os direitos humanos.

Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei, foi presa na cidade canadense no dia 1º de dezembro a pedido dos Estados Unidos pela suposta violação das sanções impostas pelo governo americano ao Irã, de acordo com o Ministério da Justiça do Canadá, apesar de os detalhes do caso serem mantidos em sigilo por determinação judicial.

Sobre esta suposta violação das sanções, o porta-voz afirmou que a China, como membro do Conselho de Segurança da ONU, sempre respeita as resoluções deste organismo, mas se opõe "à imposição unilateral de sanções de qualquer país fora do Conselho".

Amanhã será realizada uma audiência para determinar se Meng, que está no cargo desde 2011 e também é vice-presidente do seu conselho administrativo, poderá ser solta mediante o pagamento de fiança, enquanto sua extradição aos Estados Unidos é decidida.

Hoje, a multinacional chinesa afirmou em comunicado que cumpre "com todas as leis e regulações aplicáveis onde opera". No entanto, o jornal "South China Morning Post" publicou hoje que em uma conversa interna com funcionários da Huawei em outubro, Meng - acompanhada por seu pai, o fundador da companhia, Ren Zhengfei -, teria dito que existem cenários nos quais a empresa "pode avaliar os custos e aceitar os riscos de não cumprir com as leis".

A Huawei, fundada em 1987, se tornou a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações e é um dos maiores fabricantes de celulares.