Topo

EUA não alcançam maioria necessária para que ONU condene o Hamas

06/12/2018 21h18

Nações Unidas, 6 dez (EFE).- Os Estados Unidos não conseguiram nesta quinta-feira reunir a maioria necessária para desenvolver na Assembleia Geral da ONU uma resolução condenando pela primeira vez o movimento islamita palestino Hamas.

O texto obteve 87 votos a favor, 57 contra e 33 abstenções, sem atingir o apoio necessário de dois terços do plenário da Assembleia.

Os países árabes tinham solicitado no início da sessão essa maioria qualificada e a Assembleia Geral aprovou seu pedido em uma acirrada votação (75 a favor, 72 contra e 26 abstenções).

Apesar de não seguir adiante, a iniciativa americana alcançou um considerável apoio, que contrasta com o tradicional isolamento que Washington viveu na ONU em quase tudo relacionado com o conflito do Oriente Médio.

Os EUA, que criticaram repetidamente que a Assembleia por se pronunciar frequentemente contra Israel, mas nunca contra o Hamas, teve o apoio de muitos dos seus aliados, dos países da União Europeia (UE) e de várias nações latino-americanas.

Por sua parte, os países árabes rejeitaram em bloco o texto, ao qual também se opuseram a China e a Rússia.

A resolução era a última grande aposta da embaixadora americana, Nikki Haley, que deixará seu cargo no final do ano e que sempre teve entre as suas prioridades a defesa de Israel diante do que considera um "dois pesos e duas medidas" contra seu aliado nas Nações Unidas.

Ao apresentar o texto, Haley denunciou hoje as ações "terroristas" do Hamas e ressaltou que a Assembleia tinha uma oportunidade clara para repeli-las.

Segundo a diplomata, "não há nada mais antissemita" que não condenar um ato de "terrorismo" contra Israel que não se duvidaria em condenar se ocorresse em qualquer outro lugar.

O texto americano criticava o Hamas "por lançar repetidamente foguetes contra Israel e por incitar a violência, pondo os civis em risco", e exigia à milícia que ponha fim a "todas as atividades violentas e ações provocadoras".

Por sua vez, o Grupo Árabe, que pediu votos contra a resolução, alegava que o texto buscava ocultar as violações por parte de Israel da legislação internacional e de várias decisões das Nações Unidas.

O Hamas é considerado um grupo terrorista por EUA, UE e outros países, mas não pela ONU.