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Procurado pela Interpol, espanhol autor de massacre em Madri nos anos 70 é preso em SP

Jordi Socóas/Efe
Enterro dos advogados trabalhistas de Atocha, em 1977 Imagem: Jordi Socóas/Efe

São Paulo

06/12/2018 18h39Atualizada em 07/12/2018 02h08

O espanhol Carlos García Juliá, condenado a 193 anos de prisão por ser um dos autores de um atentado a um escritório de advocacia em Madri ocorrido em 1977, foi preso nesta quarta-feira (6) em São Paulo por agentes da Polícia Federal (PF) a pedido da Interpol.

A superintendência da PF e policiais espanhóis que participaram da operação que culminou com a prisão do terrorista de ultradireita concederão uma entrevista coletiva na quinta (7) para dar os detalhes sobre o caso e a possível extradição de Juliá, de acordo com fontes da embaixada da Espanha em Brasília.

O terrorista, de 65 anos, tinha 24 quando cometeu um atentado a tiros dentro de um escritório de advogados trabalhistas e de militantes do ainda ilegal Partido Comunista da Espanha. Ele e José Fernández Cerra foram condenados pela Audiência Nacional do país a 193 anos de prisão como autores materiais de cinco assassinatos no local.

"A PF identificou que esse indivíduo estaria residindo no Brasil com identidade falsa e passou a investigar seu paradeiro por meio de seus policiais que atuam na Interpol. Iniciaram-se diligências para localizar e procurado, tendo sido identificada uma possível residência na capital paulista. Ele foi identificado e preso no início da noite de ontem (5/12) no bairro da Barra Funda", informou a Polícia Federal em comunicado.

As fontes da Embaixada consultadas pela Efe não confirmaram ou negaram se a Espanha já solicitou a extradição do terrorista ao governo brasileiro. No ano passado, no entanto, a Audiência Nacional atualizou ao Ministério da Justiça da Espanha o pedido de extradição de Juliá que tinha sido enviado ao governo da Bolívia, onde se supunha que ele estaria foragido.

O terrorista, que pertencia à Falange e a outros grupos ultradireitistas, estava fora da Espanha desde 1994, quando, após ter cumprido 14 anos de pena, recebeu autorização para deixar a prisão e viajou para o Paraguai. A decisão foi revogada pouco depois, e a Espanha ordenou o retorno imediato de Juliá para terminar de cumprir a condenação, mas ele desapareceu.

Dois anos depois foi detido na Bolívia acusado de tráfico de drogas e de financiamento de grupos paramilitares.

Em 24 de janeiro de 1977, em pleno processo de transição democrática na Espanha após o fim da longa era Francisco Franco no poder, os dois atiradores invadiram o escritório de advocacia supostamente em busca do dirigente comunista Joaquín Navarro, que era secretário-geral do Sindicato dos Transportes da confederação sindical Comissões Operárias (CCOO). Ele tinha sido o responsável por convocar greves que contribuíram para acabar com uma máfia franquista no transporte público.

No escritório, a dupla matou a tiros os advogados Enrique Valdelvira, Javier Sauquillo e Luis Javier Benavides, o estudante de Direito Serafín Holgado e o assistente administrativo Ángel Rodríguez. Outras quatro pessoas ficaram feridas: Miguel Sarabia Gil, Alejandro Ruiz-Huerta Carbonell, Luis Ramos Pardo e Lola González Ruiz, esta última esposa de Sauquillo.

Chamado na Espanha de "Matança de Atocha", em referência à rua onde ficava o escritório, o massacre se transformou em um dos símbolos do retorno da democracia na Espanha, quando faltavam dois meses para a legalização do Partido Comunista e cinco para a realização das primeiras eleições depois de quatro décadas de ditadura.

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